18 mar 2010 @ 4:35 PM 

O Brasil tem erros estruturais, oriundos de uma cópia do sistema presidencialista americano.
Ao copiá-lo, logicamente, nossos digníssimos signatários de outrora fizeram nele o
que chamaram de adaptação à nossa realidade, mas que, na verdade, foram alterações que beneficiavam interesses escusos.
Temos um problema seríssimo no que diz respeito ao pacto federativo.
Na nossa constituição, o subsolo pertence a União, e não aos estados.
Já na constituição americana, se sair petróleo no quintal da sua casa o direito de explorá-lo é seu.
Temos um sistema de arrecadação que junta tudo na conta da união e ela devolve porcamente uma mísera parte aos estados.
Os americanos, ao contrário, arrecadam individualmente e mandam uma parte para a União. É com ela que o presidente americano faz política externa, guerras e trata das calamidades. No fundo quem paga é sempre o contribuinte.
Nosso pacto federativo permitiiu que estados como São Paulo, que sempre dominou fortemente a política nacional, crescecem e se estruturassem na magnitude em que estão, enquanto os outros estados, em especial os do nordeste, minguassem na mão
de políticos que se beneficiram de monopólios e oligopólios (Sarney, ACM e outros) sem necessariamente defender suaa regiões como deveriam.
Assim, dentro do nosso pacto federativo, o petróleo que se extrai do Rio e do Espírito Santo, assim como o minério que se extrai do solo de MInas Gerais, pertencem de fato a União, e não aos estados.
As últimas conscituições trataram de pagar os tais roayalties a esses estados, coisa que antigamente nem existia.
Não defendo o projeto de lei de Ibsem Pinheiro, mas acho que ele se torna produtivo a medida que promove o questionamento sobre o modelo de pacto federativo que temos em nossa constituição.
Esse é o momento de travar uma discussão séria sobre esse assunto, idéia amplamente defendida por Aécio Neves e outros democratas de fato.
Nosso sistema presidencialista precisa passar por uma revisão profunda, tirando do presidente a prerrogativa de emitir medidas provisórias a seu bel prazer, num desrespeito profundo ao congresso nacional, esse sim, incumbido de legislar.
É essa fórmula maluca e retrógrada que torna o congresso refém de escândalos e mensalões, pois é a forma que o executivo usa para barganhar com os congressistas a favor de suas idéias e quase nunca a favor do país.
Quanto ao Rio de Janeiro em particular, o lamentável é que desde o golpe militar de 1964 tem sido governado por políticos escrotos, que pouco ou quase nada fizeram pelo estado a não ser contribuir para a instalação desse caos social.

A saber:

Cordolino José Ambrósio 1º de maio de 1964 4 de maio de 1964 Presidente da Assembléia Legislativa
Paulo Francisco Torres 4 de maio de 1964 12 de agosto de 1966 Governador nomeado
Teotônio Araújo 12 de agosto de 1966 31 de janeiro 1967 Vice-governador nomeado
Jeremias Fontes 31 de janeiro de 1967 31 de março de 1971 Governador nomeado
Raimundo Padilha 31 de março de 1971 15 de março de 1975 Governador nomeado
Governadores pós-fusão      
Floriano Peixoto Faria Lima 15 de março de 1975 15 de março de 1979 Governador nomeado
Chagas Freitas 15 de março de 1979 15 de março de 1983 Governador eleito indiretamente
Leonel Brizola (primeira vez) 15 de março de 1983 15 de março de 1987 Governador eleito  
Moreira Franco 15 de março de 1987 15 de março de 1991 Governador eleito  
Leonel Brizola (segunda vez) 15 de março de 1991 2 de abril de 1994 Governador eleito  
Nilo Batista 2 de abril de 1994 1 de janeiro de 1995 Vice-governador eleito
Marcello Alencar 1 de janeiro de 1995 1 de janeiro de 1999 Governador eleito
Anthony Garotinho 1 de janeiro de 1999 6 de abril de 2002 Governador eleito
Benedita da Silva 6 de abril de 2002 1 de janeiro de 2003 Vice-Governadora eleita  
Rosinha Garotinho 1 de janeiro de 2003 1 de janeiro de 2007 Governadora eleita  
Sérgio Cabral Filho 1 de janeiro de 2007 atualidade Governador eleito

Tratando da questão pós fusão com o estado da Guanabara (outro absurdo), vê-se que o estado sempre esteve mal representado, inclusive atualmente.
A divisão do petróleo do pré-sal não pode de forma alguma servir de chantagem política com ameaças de não haver verbas para a realização das olimpíadas e da copa do mundo, pois esses dois eventos foram aprovados sem se contar com esse dinheiro.  Além disso, a União vai arcar com grande parte dos investimentos necessários para a realização desses eventos, tornando ainda mais inócua a chantagem proposta.
Os cariocas deveriam ir às ruas, sim, mas para não permitir mais que Brizolas, Garotinhos, Rosinhas e Beneditas governem um dos maiores cartões postais do mundo e que Lulas, Dilmas e Dirceus jamais voltem a comandar os destinos do nosso país.
O mesmo Rio de Janeiro que durante mais de um século foi a porta de entrada do Brasil, hoje, graças a violência e desgoverno, é, infelizmente, motivo de medo lá fora e aqui dentro, além de ser, politicamente, uma chacota nacional.
Não é só do dinheiro do petróleo que o Rio de Janeiro precisa. Precisa, principalmente, de governantes com vergonha na cara e noção do interesse público.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 18 mar 2010 @ 04:37 PM

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Categories: Crítica


 

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