28 fev 2010 @ 11:44 PM 

Lamento informar, mas, de certa forma, não importa o que você foi, é ou será. Você vai virar estatística.
O que diferencia sua existência é o tipo de estatística na qual você vai aparecer.

Se você é o tipo de pessoa acomodada, que não faz nada além de acordar, estudar, trabalhar e dormir, sua participação na estatística será apenas numérica, pois mesmo que se estratifiquem dados e gráficos, você só terá contribuído para “engrossar o caldo”.

O que muda o enfoque da questão é o tipo de estatística na qual você aparece.
Por exemplo, Barack Obama é o primeiro negro a ser presidente dos Estados Unidos.
Isso não o define apenas como estatística, mas o coloca num patamar onde a pessoa fez a diferença.

Talvez, daqui a duzentos anos ele possa ser um percentual dos negros que conseguiram ocupar a presidência dos Estados Unidos. Mas, até lá, ele terá sido o cara, pois, em termos percentuais, ele, hoje, representa 100% dessa estatística.
Diferentemente de uma pessoa que sofreu um acidente na via Dutra, que será apenas mais uma entre tantas outras, um traço percentual dessa estatística.

Outra forma de encarar a estatística nas nossas vidas é quando observamos dados históricos sobre um determinado evento.
Como exemplo, se estatisticamente sabe-se que a cada cem pessoas que passam por um determinado local uma delas é roubada, ao passar por esse local pela centésima vez sua chance de engrossar essa estatística aumenta consideravelmente.
Outro exemplo é que se você sabe que a cada x pessoas que comparam carne num determinado açougue levam o produto estragado, se você continuar comparando nesse açougue em breve poderá ser uma delas.

Muito doido isso, não?

Assim, quando faço a pergunta título desse texto, o que realmente provoco é um pensamento sobre o que fazemos com nossas vidas nos diversos eventos e momentos dela.
Tem gente que vai passar toda vida sendo apenas um traço percentual de uma estatística em tudo o que faz.

Lula foi o primeiro operário a ser presidente do Brasil.
Quantos operários conseguiriam isso?
Quantos operários será que ambicionaram ou ambicionam o mesmo cargo que ele?

Bem, aí você pode-me dizer que ambicionar não basta. E eu respondo: será que não?
E então lhe faço uma pergunta: o que faz uma pessoa de sucesso ser reconhecida como uma pessoa de sucesso?

O que fizeram Barack Obama e Lula serem reconhecidos como pessoas de sucesso em suas aspirações?
A resposta é simples. Eles fizeram mais do que se esperava deles.

Quando Lula se candidatou a presidência da república pela primeira vez ele não tinha a menor chance.
Quando Barack Obama anunciou que era pré-candidato a presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata todos riram dele.
Mas ambos fizeram mais do que se esperava que eles fizessem. Eles persistiram, trabalharam arduamente por seus objetivos e deixaram de ser, respectivamente, mais um operário que ambicionou ser presidente do Brasil e mais um negro que ambicionou ser presidente dos Estados Unidos.

Meus exemplos são propositalmente superlativos, com o objetivo de mostrar que tudo é possível quando você não se contenta em ser apenas um dado estatístico na história, ainda que, de uma forma ou de outra, você vá parar nas estatísticas da mesma forma.

Uma pessoa foge da estatística quando ela não se acomoda com o mundo em que vive e faz as coisas de modo a deixar a sua marca pessoal, fazendo a diferença entre os outros e perante o todo.

Meu caso, por exemplo. Hoje, sou dono de um blog entre os milhares de blogs que existem na internet. Mas, se você está me lendo nesse momento é porque eu sou persistente, expondo aqui meus pensamentos e minha forma de encarar a vida.

Se o que eu escrevo fizer diferença para você ou para qualquer outra pessoa, nem que seja apenas uma, meu blog está deixando de ser apenas mais um blog na internet e minha pessoa está deixando de ser apenas uma estatística na sua vida.

Entendeu pessoa?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 28 fev 2010 @ 11:44 PM

EmailPermalinkComments (1)
Tags
Categories: Cotidiano
 27 fev 2010 @ 12:33 PM 

Desde 2009 o governo brasileiro está em litígio com o governo italiano, após conceder refúgio político a Cesare Battisti, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo armado de extrema esquerda ativo na Itália no fim dos anos 1970.

Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas.

O ministro da justiça, Tarso Genro, foi quem concedeu o status de refugiado político à Battisti, causando um enorme distúrbio nos meios diplomáticos.

Porém, o Supremo Tribunal Federal julgou a questão e entendeu que Battisti deve ser extraditado para Itália.

A decisão final está nas mãos de Lula, que até o momento não tomou nenhuma atitude, mas em diversas declarações deixa transparecer sua simpatia por Battisti.

Cesare Battisti foi preso no Brasil em 2007.

Curiosamente, no dia 22 de julho do mesmo ano de 2007, durante a realização dos jogos panamericanos no Rio de Janeiro, os boxeadores olímpicos cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux abandonaram a delegação cubana.

A única coisa que eles queriam era ir fazer carreira na Europa.

Os dois foram encontrados num hotel na cidade praiana de Araruama, região dos lagos no Rio de Janeiro. No dia 4 de agosto do mesmo ano de 2007, praticamente 10 dias após o abandono da delegação, eles foram deportados para Cuba no dia 4 de agosto.

Tudo resolvido em praticamente 10 dias.

O ministro da justiça envolvido no caso é o mesmo Tarso Genro. E o presidente do Brasil o mesmo Lula.

Vale à pena clicar nos links logo abaixo para entender as diferenças de pesos e medidas dos dois casos.

Cesare Battisti, um participante da luta armada, envolvido em atentados e com um passado onde constam assaltos a mão armada desde a juventude.

Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, dois jovens boxeadores cubanos cujo maior crime foi nascer e viver sob o regime de Fidel Castro.

Dilma Roussef, candidata de Lula à presidência da republica, foi declaradamente terrorista, militou na luta armada, praticou assaltos e seqüestros.

Se ela for eleita presidente do Brasil, eu não me espantaria se ela concedesse refúgio político a Osama Bin Laden.

 Caso Cesare Battisti - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Battisti_(1954)

 Caso dos boxeadores cubanos – http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL83186-5606,00.html

 Dilma Roussef – http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 27 fev 2010 @ 12:33 PM

EmailPermalinkComments (0)
Tags
Categories: Cotidiano
 21 fev 2010 @ 11:16 AM 

O motivo
Eu nunca fui bom de química. Nunca nem me interessei sobre o assunto.
A gente acaba aprendendo uma coisa ou outra, mas, cá pra nós, pra que ser química pra quem sempre pretendeu trabalhar com comunicação?
Era o primeiro ano do científico. Eu peguei prova especial de química e tinha que passar. Eu e mais uma dúzia, o que mexia com meu espírito de Robin Wood. Ou seria de José Roberto Arruda?

O professor
O nome era o Ricardo, um sujeito alto que usava óculos, tinha voz forte, firme, barba rala. Usava um jaleco branco, andava de um lado pro outro da sala enquanto dava aula. Às vezes brincalhão, mas na maioria do tempo só queria mesmo falar de química.

O ambiente
Naquele ano eu havia “roubado” diversas provas.
É dona Sonia, confesso, foram várias. E não era difícil não.
Os professores rodavam as provas no estêncil (que coisa arcaica meu Deus!) e simplesmente amassavam a matriz e jogavam no lixo. E eu pegava. Simples assim.
Até que num determinado momento o servente (como era mesmo o nome dele? Cícero?) passou a entregar esse lixo diretamente na mão do lixeiro.
Que trabalho isso me deu. Quando soube tive que correr atrás do caminhão de lixo e comprar o lixo nas mãos do lixeiro. Fiz isso pelo menos umas três vezes.

O processo
Era assim. Eu pegava a prova, alguém (ou “alguéns”) resolvia e passávamos para os colegas necessitados (tinha muito não-necessitado que pegava também).
Mas não tinha esse negócio de tirar 10 não. Cada um tirava uma nota muito próxima daquilo que precisava, assim não dava na pinta.
Imagine só, eu, um aluno relapso, de repente tirando 10 em tudo que é prova. Não dava.

A prova de química
E veio a tal prova de química.
Fiquei de olho no lixo. Nada.
Fiquei de olho no professor. Também nada.
Eu sabia que as provas eram rodadas com antecedência e ficavam empilhadas num móvel na sala da diretora até o dia de serem aplicadas aos alunos (me corrija aí se eu estiver errado Sonia).
Pra me certificar do fato, arrumei um motivo sem vergonha qualquer pra ir à sala da diretoria – coisa que muitas vezes eu fazia compulsoriamente. E lá estavam elas, lindinhas empilhadas lado a lado. E eu só precisava por as mãos em uma daquelas centenas de folhas.
Mas como?

O crime
Não dava pra ser nada cinematográfico.
A escola ficava em uma casa de muros altos, em uma avenida movimentada de Copacabana. E eu não tinha a menor vocação pra escalar muros.
Decidi então optar pelo modo mais óbvio e objetivo, bater na porta da escola e conversar com o servente que também fazia o papel de vigia, pois morava na escola. E foi o que eu fiz.
Passei óleo de peroba da cara e no domingo anterior à prova fui lá eu e bati na porta.
E não é que o sujeito abriu? E não só abriu como entendeu meu desespero e me deu acesso até a diretoria.
Peguei a prova e saí de lá me sentindo um ser abençoado por Deus. Um herói para aquela dúzia de pessoas que precisavam de nota tanto quanto eu.
Com o produto do crime nas mãos, corri pra casa da Geíza que ficava no meio do quarteirão ao lado.

A notícia
Cerca de meia hora depois, metade dos interessados já sabia que tínhamos a prova. Mirellinha era uma das mais eufóricas.
Começamos então a procurar quem resolveria a prova pra nós, pois, lógico, se precisávamos tanto de nota é porque não sabíamos nada de química.
Telefonema vai, telefonema vem, e logo encontramos bons alunos de química pra nos ajudar. Entre eles Ana Lúcia Quintaes (não negue colega, agora é tarde).
Lembro que a prova era na quinta-feira seguinte, o que nos deixava com apenas três dias para resolvê-la e decorá-la. E assim foi feito.

O dia da prova
A quinta-feira feira chegou.
Eu tinha decorado até as falhas de impressão do estêncil.
O professor entrou na sala, olhou pra todos e sentenciou:
- Todo mundo pegando uma folha de caderno pra anotar as questões porque eu esqueci a prova em casa.
Pensei com meus botões: porque esse infeliz teria levado as provas para casa se elas estavam empilhadas na sala da diretoria?
E então ele começou a escrever as questões no quadro, totalmente diferente da prova que eu havia surrupiado.
Subitamente um frio começou a correr pela minha espinha, não porque a prova estava diferente da que eu roubei, mas porque aquela dúzia de pessoas estava me fuzilando com o olhar.
Questões colocadas no quadro, Mirella olha para o professor e pergunta:
- Ricardo, você tem certeza que a prova é essa mesmo?
Como a Mirella era ingênua meu Deus! Aff!
Ele fixou o olhar nela, olhou pra mim, voltou o olhar pra ela e disse:
- Porque Mirella, você conhece alguma outra prova?
Mirella estava sentada ao lado da janela. Eu olhei pra ela e conseguia enxergar através dela, pois ela não estava branca não, estava transparente.
Ela respondeu um “claro que não” que era mais do que uma denúncia. Abaixou a cabeça e o silencio se fez absoluto na sala.

Eu e o professor
Um a um os alunos foram entregando as provas, até que ficamos apenas eu e o professor Ricardo na sala.
Eu não tinha sequer escrito meu nome na prova, pois naquele momento acho que nem isso eu sabia fazer.
Ele me olhou e perguntou se eu não ia entregar minha prova.
Perguntei a ele quanto tempo eu tinha pra terminar e ele me disse que eu ainda tinha 20 minutos.
Então respondi que gastaria o tempo que tinha.
Eu ficava olhando pra ele, ele ficava olhando pra mim, certo de que eu não tinha feito uma questão sequer.
E me olhava, e eu o olhava, e levamos aquela encenação até o diálogo final.
Esgotado o tempo ele se levantou da cadeira com ar de quem tinha vencido uma partida de xadrez e me disse:
- O tempo terminou.
Eu me levantei, peguei a prova e fui diretamente pra ele.
Ele olhou minha prova em branco, fez uma cara de muito feliz ao ver que eu não tinha escrito nela nada além do meu nome e me falou:
- Pois é Hermínio, acho que dessa vez eu te peguei.
Com toda a calma do mundo eu olhei pra ele e respondi:
- Você está enganado Ricardo, quem te pegou fui eu.
Ele espantou com minha resposta e antes de falar alguma coisa eu disse:
- Afinal de contas, quem vai ter que me dar aula novamente é você, não é mesmo?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 21 fev 2010 @ 11:18 AM

EmailPermalinkComments (0)
Tags
Categories: Prosa

 Last 50 Posts
 Back
 Back
Change Theme...
  • Users » 5
  • Posts/Pages » 102
  • Comments » 8
Change Theme...
  • VoidVoid « Default
  • LifeLife
  • EarthEarth
  • WindWind
  • WaterWater
  • FireFire
  • LightLight

Objetivo desse blog



    No Child Pages.