29 dez 2009 @ 9:28 AM 

Sou do tempo em que pensar na chegada do ano 2000 causava apreensão. E como ele era distante.

Em 1981, eu e uns amigos marcamos então um encontro para o dia 1 de abril do ano 2000. Faltavam ainda 19 anos para a data e isso parecia uma eternidade.

Estaríamos todos vivos? O mundo ainda existiria?

A incerteza era tanta que por via das dúvidas marcamos o encontro em três locais possíveis, de modo que se algum deles fosse dizimado pelo tempo, ou por alguma catástrofe, teríamos opções para nos encontrar.

E assim, o encontro foi documentado e assinado por todos, e cada um ficou com uma cópia (feita a mão, pois, imaginem, para nós, estudantes de 16, 17 anos de idade, xerox era caríssimo em 1981).

Enfim, veio o ano 2000. E sem que a gente percebesse ou comentasse sobre isso, o mundo não havia mudado praticamente nada. E apesar de termos determinado 3 opções de locais para o encontro (que obviamente não sofreram nenhuma catástrofe), o mesmo foi realizado na casa de uma das amigas do grupo, no dia 1 de abril, como combinado.

Nem todos os signatários foram ao encontro, uma pena. Em compensação outros amigos compareceram e a festa foi muito boa.

Ninguém teceu nenhum comentário significativo por estarmos no ano 2000. O ano em si foi citado muito mais como uma referência de “nossa! quanto tempo passou!”, sem se levar em consideração a idéia inicial futurista e/ou catastrófica que a data representava.

E lá se foram 10 anos desde então. E por mais que o mundo tenha incorporado muito dos filmes futuristas que sempre projetaram carros voadores e viagens espaciais para qualquer cidadão comum, pouca coisa realmente mudou.

A realidade é que ainda temos que lidar com a fome, a violência, as guerras, o analfabetismo, a falta de saneamento básico, as epidemias e pandemias, a má distribuição de renda, subnutrição, situações que demonstram que nos tornamos na verdade uma versão dos Flintstones com o benefício de algumas modernidades dos Jetsons.

Alguns têm micro-ondas enquanto outros não têm sequer comida. Muitos têm potentes celulares que consomem considerável fatia de sua renda, enquanto a renda que sobra mal dá pra se sustentar direito.

Nossa modernidade de 2010 tem uma medicina cada vez mais avançada científica e tecnologicamente, na mesma proporção em que o mundo tem uma população cada vez mais doente, com lugares onde as pessoas ainda morrem em filas esperando atendimento médico.

Estamos à espera da cura do câncer e da AIDS, mas ainda tem gente morrendo de Dengue, de gripe, de Leptospirose.

Enquanto o veículo voador não chega às ruas estão abarrotadas de carros e congestionamentos, causados pelo excesso dos mesmos. Mas, mais do que isso, causados pela inoperância de quem planeja e controla o trânsito e pela ignorância de quem dirige os carros.

E mesmo com toda a tecnologia de 2010, o planeta nunca esteve tão poluído e desorientado climaticamente, sem que uma luz no fim do túnel esteja realmente visível.

A modernidade de 2010 está cada vez mais abarrotada de corrupção, ganância e corporativismo em todos os níveis da sociedade. E o futuro a Deus pertence.

Saudades de 1981.

Que venha 2010.

Feliz ano novo a todos.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 29 dez 2009 @ 09:30 AM

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Categories: Cotidiano
 14 dez 2009 @ 4:39 PM 

Mal começou o ano de 2009 e já estamos no natal do mesmo.

Se me perguntarem detalhadamente como foram meus meses eu não saberia dizer o que fiz exatamente em cada mês. O que me parece feito outro dia, na verdade foi a meses, quando não, no ano passado ou retrasado.

Às vezes encontramos um amigo que não vemos há algum tempo, e numa conferência rápida descobrimos que esse “algum tempo” significa dois, três anos, até mais.

Li recentemente que às 24 horas do nosso dia hoje equivalem a 17 horas. É como se cada minuto ou segundo tivesse sido encurtado em 29,2%. É como se cada minuto tivesse apenas 42,48 segundos, ou como se uma hora tivesse apenas 42,48 minutos. Muito doido isso.

Mas, mais doido do que isso é a previsão de que em mais 5 anos essas 17 horas se reduzam a 14 horas. Ou seja, a redução passará para 41,7%. Como se uma hora tivesse apenas 35 minutos.

É claro que nossos relógios continuarão marcando os 60 minutos e praxe pra se completar uma hora, mas cada vez mais nossa percepção é de que realmente as horas, os dias, os meses e os anos se tornarão mais curtos.

São muitas as influências para esses acontecimentos, com explicações das mais diversas, que vão da espiritualidade à física quântica. Só que elas existem e mesmo que eu não saiba dar mais esclarecimentos, todos nós percebemos o que está se passando.

Indico o livro 2012, de Gregg Braden, como fonte de informações, uma vez que nesse livro existem dezenas de opiniões e pensamentos referentes a esse tema.

No entanto, não precisamos ir tão a fundo para fundamentar essa passagem tão rápida do tempo. No nosso dia-a-dia fica muito fácil de perceber como algumas coisas acontecem.

Somos híperconectados hoje em dia. O celular que não nos dá trégua e que cada vez mais traz embutidos diversos serviços e informações que consomem nosso tempo. A internet, que simplesmente extinguiu as distâncias e o tempo na circulação das informações. As TVs que, via satélite, nos põem em contato com as informações em tempo real e aproxima povos, culturas e acontecimentos.

E enquanto eu escrevo esse post, e você o lê post, o tempo não parou. E quando me dei conta, esse pequeno texto consumiu mais de 40 minutos meu tempo (com algumas interrupções, claro) e provavelmente de 5 a 10 minutos do seu, o que mostra que produzir continua demorando muito mais do que consumir, deixando claro porque as pessoas trocam tanto de celular, de páginas na internet, de canais de TV…

Como voa esse tempo, não?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 14 dez 2009 @ 04:39 PM

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