Dunga, que deveria ser o Mestre, resolveu ser Zangado.
Não permitiu a ninguém nem um Atchim, perdeu, voltou
Dengoso e não fez ninguém Feliz.
Desde que Lula assumiu a presidência da república, o MST, que já praticava o terrorismo rural, passou a atuar com mais liberdade e desnvoltura.
Tanto quanto nos meios políticos, os maiores aliados do MST são a impunidade, a lentidão da justiça, a inoperância das polícias nas investigações e autuações e o conjunto de leis absolutamente superado e mal interpretado, dando margem para que processos como esse abaixo continuem a acontecer.
Invasão de fazendo pelo MST (vídeo seguro – youtube)
Lamento informar, mas, de certa forma, não importa o que você foi, é ou será. Você vai virar estatística.
O que diferencia sua existência é o tipo de estatística na qual você vai aparecer.
Se você é o tipo de pessoa acomodada, que não faz nada além de acordar, estudar, trabalhar e dormir, sua participação na estatística será apenas numérica, pois mesmo que se estratifiquem dados e gráficos, você só terá contribuído para “engrossar o caldo”.
O que muda o enfoque da questão é o tipo de estatística na qual você aparece.
Por exemplo, Barack Obama é o primeiro negro a ser presidente dos Estados Unidos.
Isso não o define apenas como estatística, mas o coloca num patamar onde a pessoa fez a diferença.
Talvez, daqui a duzentos anos ele possa ser um percentual dos negros que conseguiram ocupar a presidência dos Estados Unidos. Mas, até lá, ele terá sido o cara, pois, em termos percentuais, ele, hoje, representa 100% dessa estatística.
Diferentemente de uma pessoa que sofreu um acidente na via Dutra, que será apenas mais uma entre tantas outras, um traço percentual dessa estatística.
Outra forma de encarar a estatística nas nossas vidas é quando observamos dados históricos sobre um determinado evento.
Como exemplo, se estatisticamente sabe-se que a cada cem pessoas que passam por um determinado local uma delas é roubada, ao passar por esse local pela centésima vez sua chance de engrossar essa estatística aumenta consideravelmente.
Outro exemplo é que se você sabe que a cada x pessoas que comparam carne num determinado açougue levam o produto estragado, se você continuar comparando nesse açougue em breve poderá ser uma delas.
Muito doido isso, não?
Assim, quando faço a pergunta título desse texto, o que realmente provoco é um pensamento sobre o que fazemos com nossas vidas nos diversos eventos e momentos dela.
Tem gente que vai passar toda vida sendo apenas um traço percentual de uma estatística em tudo o que faz.
Lula foi o primeiro operário a ser presidente do Brasil.
Quantos operários conseguiriam isso?
Quantos operários será que ambicionaram ou ambicionam o mesmo cargo que ele?
Bem, aí você pode-me dizer que ambicionar não basta. E eu respondo: será que não?
E então lhe faço uma pergunta: o que faz uma pessoa de sucesso ser reconhecida como uma pessoa de sucesso?
O que fizeram Barack Obama e Lula serem reconhecidos como pessoas de sucesso em suas aspirações?
A resposta é simples. Eles fizeram mais do que se esperava deles.
Quando Lula se candidatou a presidência da república pela primeira vez ele não tinha a menor chance.
Quando Barack Obama anunciou que era pré-candidato a presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata todos riram dele.
Mas ambos fizeram mais do que se esperava que eles fizessem. Eles persistiram, trabalharam arduamente por seus objetivos e deixaram de ser, respectivamente, mais um operário que ambicionou ser presidente do Brasil e mais um negro que ambicionou ser presidente dos Estados Unidos.
Meus exemplos são propositalmente superlativos, com o objetivo de mostrar que tudo é possível quando você não se contenta em ser apenas um dado estatístico na história, ainda que, de uma forma ou de outra, você vá parar nas estatísticas da mesma forma.
Uma pessoa foge da estatística quando ela não se acomoda com o mundo em que vive e faz as coisas de modo a deixar a sua marca pessoal, fazendo a diferença entre os outros e perante o todo.
Meu caso, por exemplo. Hoje, sou dono de um blog entre os milhares de blogs que existem na internet. Mas, se você está me lendo nesse momento é porque eu sou persistente, expondo aqui meus pensamentos e minha forma de encarar a vida.
Se o que eu escrevo fizer diferença para você ou para qualquer outra pessoa, nem que seja apenas uma, meu blog está deixando de ser apenas mais um blog na internet e minha pessoa está deixando de ser apenas uma estatística na sua vida.
Entendeu pessoa?
Desde 2009 o governo brasileiro está em litígio com o governo italiano, após conceder refúgio político a Cesare Battisti, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo armado de extrema esquerda ativo na Itália no fim dos anos 1970.
Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas.
O ministro da justiça, Tarso Genro, foi quem concedeu o status de refugiado político à Battisti, causando um enorme distúrbio nos meios diplomáticos.
Porém, o Supremo Tribunal Federal julgou a questão e entendeu que Battisti deve ser extraditado para Itália.
A decisão final está nas mãos de Lula, que até o momento não tomou nenhuma atitude, mas em diversas declarações deixa transparecer sua simpatia por Battisti.
Cesare Battisti foi preso no Brasil em 2007.
Curiosamente, no dia 22 de julho do mesmo ano de 2007, durante a realização dos jogos panamericanos no Rio de Janeiro, os boxeadores olímpicos cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux abandonaram a delegação cubana.
A única coisa que eles queriam era ir fazer carreira na Europa.
Os dois foram encontrados num hotel na cidade praiana de Araruama, região dos lagos no Rio de Janeiro. No dia 4 de agosto do mesmo ano de 2007, praticamente 10 dias após o abandono da delegação, eles foram deportados para Cuba no dia 4 de agosto.
Tudo resolvido em praticamente 10 dias.
O ministro da justiça envolvido no caso é o mesmo Tarso Genro. E o presidente do Brasil o mesmo Lula.
Vale à pena clicar nos links logo abaixo para entender as diferenças de pesos e medidas dos dois casos.
Cesare Battisti, um participante da luta armada, envolvido em atentados e com um passado onde constam assaltos a mão armada desde a juventude.
Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, dois jovens boxeadores cubanos cujo maior crime foi nascer e viver sob o regime de Fidel Castro.
Dilma Roussef, candidata de Lula à presidência da republica, foi declaradamente terrorista, militou na luta armada, praticou assaltos e seqüestros.
Se ela for eleita presidente do Brasil, eu não me espantaria se ela concedesse refúgio político a Osama Bin Laden.
Caso Cesare Battisti - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Battisti_(1954)
Caso dos boxeadores cubanos – http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL83186-5606,00.html
Dilma Roussef – http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff
Pode ter até quem não goste de uma pipoca no cinema. Eu mesmo não sou muito fã e fiquei anos sem comer, em lugar nenhum.
Esse hábito é tão enraizado na nossa cultura que não percebemos, ou não nos questionamos que, em função da bendita pipoca, somos muito mal atendidos nas bombonieres dos cinemas. Na verdade deveriam se chamar pipoconieres, faria mais sentido.
Não sei se é implicância minha, mas se não estiver ali com a barriga no balcão na hora que a pipoca está saindo (e que infelizmente nem sempre é na hora que está começando a sessão), se tiver sorte come pipoca morna, ou fria mesmo se não for seu dia de sorte.
Você já reparou que seja qual for o cinema ou a sessão sempre vai encontrar atendentes mal humorados, dispersos e em número menor do que o contingente de consumidores exige? E que exceto os refrigerantes de máquina o resto nunca está realmente gelado?
Mas, o que mais me intriga são as guloseimas e chocolates. Mais uma coisa que não recebe influência do cinema ou da cidade: as marcas são sempre as mesmas. E que ninguém me diga que uma pesquisa de hábitos de consumo determinou serem essas as marcas e variedades que o público mais consome. Balela.
A verdade nua e crua se divide em duas partes: a) existe um monopólio de negociação com meia dúzia de marcas de produtos; b) eles não estão nem aí pro que o consumidor realmente quer porque como só tem essas marcas mesmo nós vamos consumir o que tiver. E ponto.
Os refrigerantes de máquina são regados a meio copo de gelo e o restante do próprio refrigerante. Por isso que, na sessão de cinema, mal acabaram os trailers e você já consegue notar que seu refrigerante está aguado. Mas você toma assim mesmo e depois fica chupando o gelo achando que ta fazendo um grande negócio.
Tirando a Coca Zero e o Sprit Zero (que aguados ficam ainda mais horríveis do que o refrigerante normal) sobram aos pobres coitados dos diabéticos – entre os quais eu me incluo – as águas levemente gaseificadas, que também poderiam ser chamados de refrigerantes originalmente aguados que a gente também bebe achando que ta fazendo outro grande negócio.
Temos ainda as enormes filas indianas pra conseguir comprar uma ficha, a enorme aglomeração brasiliana na frente do balcão querendo ser atendida sem a menor organização e aqueles funcionários dispersos e mal humorados que estão pouquíssimo interessados em saber se sua sessão ta começando ou já começou.
E bem feito pra você, chegasse mais cedo. Talvez até conseguisse comer pipoca quente.
E falando da digníssima, também é ela que fecha o raciocínio: como pipoca no cinema custa caro!
As pessoas até se dão conta de que é caro, mas penso que ninguém faz a conta de que o preço de um pacote de pipoca no cinema custa, em média, R$ 2,50 no supermercado.
Já vi na lista de preços de algumas bombonieres umas inovações com pão de queijo. Só que entre anunciar na lista de preços e ter pra vender são coisas bem diferentes. E quando tem, ou está frio ou está esturricado.
O que eu quero é que me ofereçam alguma coisa diferente, de qualidade, por um preço mais razoável e que se lembrem que nós, diabéticos, gostamos de guloseimas e pagamos mais caro pelos produtos diet.
E pipoca quente no início da sessão com um refrigerante bem gelado, mas com menos gelo.
Não é pedir muito, é?
Sou do tempo em que pensar na chegada do ano 2000 causava apreensão. E como ele era distante.
Em 1981, eu e uns amigos marcamos então um encontro para o dia 1 de abril do ano 2000. Faltavam ainda 19 anos para a data e isso parecia uma eternidade.
Estaríamos todos vivos? O mundo ainda existiria?
A incerteza era tanta que por via das dúvidas marcamos o encontro em três locais possíveis, de modo que se algum deles fosse dizimado pelo tempo, ou por alguma catástrofe, teríamos opções para nos encontrar.
E assim, o encontro foi documentado e assinado por todos, e cada um ficou com uma cópia (feita a mão, pois, imaginem, para nós, estudantes de 16, 17 anos de idade, xerox era caríssimo em 1981).
Enfim, veio o ano 2000. E sem que a gente percebesse ou comentasse sobre isso, o mundo não havia mudado praticamente nada. E apesar de termos determinado 3 opções de locais para o encontro (que obviamente não sofreram nenhuma catástrofe), o mesmo foi realizado na casa de uma das amigas do grupo, no dia 1 de abril, como combinado.
Nem todos os signatários foram ao encontro, uma pena. Em compensação outros amigos compareceram e a festa foi muito boa.
Ninguém teceu nenhum comentário significativo por estarmos no ano 2000. O ano em si foi citado muito mais como uma referência de “nossa! quanto tempo passou!”, sem se levar em consideração a idéia inicial futurista e/ou catastrófica que a data representava.
E lá se foram 10 anos desde então. E por mais que o mundo tenha incorporado muito dos filmes futuristas que sempre projetaram carros voadores e viagens espaciais para qualquer cidadão comum, pouca coisa realmente mudou.
A realidade é que ainda temos que lidar com a fome, a violência, as guerras, o analfabetismo, a falta de saneamento básico, as epidemias e pandemias, a má distribuição de renda, subnutrição, situações que demonstram que nos tornamos na verdade uma versão dos Flintstones com o benefício de algumas modernidades dos Jetsons.
Alguns têm micro-ondas enquanto outros não têm sequer comida. Muitos têm potentes celulares que consomem considerável fatia de sua renda, enquanto a renda que sobra mal dá pra se sustentar direito.
Nossa modernidade de 2010 tem uma medicina cada vez mais avançada científica e tecnologicamente, na mesma proporção em que o mundo tem uma população cada vez mais doente, com lugares onde as pessoas ainda morrem em filas esperando atendimento médico.
Estamos à espera da cura do câncer e da AIDS, mas ainda tem gente morrendo de Dengue, de gripe, de Leptospirose.
Enquanto o veículo voador não chega às ruas estão abarrotadas de carros e congestionamentos, causados pelo excesso dos mesmos. Mas, mais do que isso, causados pela inoperância de quem planeja e controla o trânsito e pela ignorância de quem dirige os carros.
E mesmo com toda a tecnologia de 2010, o planeta nunca esteve tão poluído e desorientado climaticamente, sem que uma luz no fim do túnel esteja realmente visível.
A modernidade de 2010 está cada vez mais abarrotada de corrupção, ganância e corporativismo em todos os níveis da sociedade. E o futuro a Deus pertence.
Saudades de 1981.
Que venha 2010.
Feliz ano novo a todos.
Mal começou o ano de 2009 e já estamos no natal do mesmo.
Se me perguntarem detalhadamente como foram meus meses eu não saberia dizer o que fiz exatamente em cada mês. O que me parece feito outro dia, na verdade foi a meses, quando não, no ano passado ou retrasado.
Às vezes encontramos um amigo que não vemos há algum tempo, e numa conferência rápida descobrimos que esse “algum tempo” significa dois, três anos, até mais.
Li recentemente que às 24 horas do nosso dia hoje equivalem a 17 horas. É como se cada minuto ou segundo tivesse sido encurtado em 29,2%. É como se cada minuto tivesse apenas 42,48 segundos, ou como se uma hora tivesse apenas 42,48 minutos. Muito doido isso.
Mas, mais doido do que isso é a previsão de que em mais 5 anos essas 17 horas se reduzam a 14 horas. Ou seja, a redução passará para 41,7%. Como se uma hora tivesse apenas 35 minutos.
É claro que nossos relógios continuarão marcando os 60 minutos e praxe pra se completar uma hora, mas cada vez mais nossa percepção é de que realmente as horas, os dias, os meses e os anos se tornarão mais curtos.
São muitas as influências para esses acontecimentos, com explicações das mais diversas, que vão da espiritualidade à física quântica. Só que elas existem e mesmo que eu não saiba dar mais esclarecimentos, todos nós percebemos o que está se passando.
Indico o livro 2012, de Gregg Braden, como fonte de informações, uma vez que nesse livro existem dezenas de opiniões e pensamentos referentes a esse tema.
No entanto, não precisamos ir tão a fundo para fundamentar essa passagem tão rápida do tempo. No nosso dia-a-dia fica muito fácil de perceber como algumas coisas acontecem.
Somos híperconectados hoje em dia. O celular que não nos dá trégua e que cada vez mais traz embutidos diversos serviços e informações que consomem nosso tempo. A internet, que simplesmente extinguiu as distâncias e o tempo na circulação das informações. As TVs que, via satélite, nos põem em contato com as informações em tempo real e aproxima povos, culturas e acontecimentos.
E enquanto eu escrevo esse post, e você o lê post, o tempo não parou. E quando me dei conta, esse pequeno texto consumiu mais de 40 minutos meu tempo (com algumas interrupções, claro) e provavelmente de 5 a 10 minutos do seu, o que mostra que produzir continua demorando muito mais do que consumir, deixando claro porque as pessoas trocam tanto de celular, de páginas na internet, de canais de TV…
Como voa esse tempo, não?
Para acabar com os constantes episódios de suborno e roubo de objetos no aeroporto de Katmandu, no Nepal, as autoridades nepalesas resolveram proibir que a partir de agora as roupas dos funcionários do aeroporto não podem mais ter bolsos.
Isso me lembrou a piada do português que ficou sabendo que sua mulher o traía todas as tardes no sofá da sala e resolveu o problema vendendo o sofá.
É duro, mas é verdade. Confira no link abaixo.
Não é verdade que viemos de Adão e Eva, assim como não é verdade que descendemos do macaco. Mas, erroneamente, continuam ensinando as duas coisas para as crianças e insistindo nisso com os adultos.
Não é verdade que o Iraque tinha bombas atômicas e todo mundo sabia, como também não é verdade que os americanos o invadiram para libertar os iraquianos. Mas os americanos entraram lá do mesmo jeito e ninguém fez nada pra impedir.
A largura da boca da calça que eu visto é o que a moda ou a marca me condiciona. Mas eu acho que sou eu que to escolhendo.
O modelo de carro que eu compro é o carro projetado pra minha classe social. Mas eu penso que sou eu que estou escolhendo o carro que quero.
A marca de celular que eu uso depende dos recursos que eles querem que eu consuma. Mas eu tenho a nítida sensação de que sou eu mesmo quem escolhe os recursos que quero usar.
Na verdade eu como o que querem que eu coma, bebo o que querem que eu beba, vou a lugares que querem que eu vá, leio o que querem que eu saiba, penso o que querem que eu pense, devo o que me permitem dever, ganho o que permitem ganhar.
Falo sobre o que querem que eu fale, defendo o que querem que eu defenda, rejeito o que querem que eu rejeite.
Eu não sei de nada que não queiram que eu saiba, mas sou forçado a saber praticamente tudo que querem que eu saiba.
Então o que eu sei? Nada.
Só sei que nada sei, e quanto mais sei, mais descubro menos sei.
O que sei não é mais importante do que eu ainda não sei.
Vai saber.
Espanta-me que a altíssima tecnologia empregada na aviação ainda não tenha resolvido a forma de se localizar os destroços de um avião.
O homem atingiu um grau de desenvolvimento tecnológico que torno ilógico que esse tipo de coisa ainda aconteça.
Pode-se mandar um míssil atômico de um lado ao outro do planeta, sem errar o alvo.
Pode-se rastrear a conversa de um celular em qualquer parte do mundo.
Pode-se fazer micro cirurgias precisas em um feto dentro da barriga da mãe.
Pode-se rastrear um veículo com um GPS praticamente em qualquer canto do planeta.
Mas ninguém sabe onde caiu o avião.
Até pensei que o avião pudesse ter caído na ilha do seriado Lost, aí ninguém acharia mesmo.
Mas, depois que acharam alguns poucos destroços, eliminei essa hipótese.
E, como a tecnologia não conseguiu resolver o como se encontra um avião caído, os poucos destroços foram encontrados até então se utilizando mapeamento e probabilidade, nada tecnológicos, apenas científicos.
Quando encontrarem, enfim, os destroços do vôo AF 447 da Air France no oceano atlântico, começara uma segunda caçada, dessa vez pela caixa preta.
Ah! Essa tal caixa preta.
Outra coisa que além de indicar onde estão os destroços do avião, poderia indicar onde está a si mesma.
Nunca se acha a tal da caixa preta, que inclusive nem preta é, mas sim laranja.
Porque é tão difícil encontrar?
E porque ela não flutua? Não consigo entender porque ela não flutua.
Até o assento do avião é flutuante, porque a caixa preta, laranja, não é?
Porque ela não solta tinta?
Porque ela não tem um GPS ultra poderoso que pode ser localizado até no fundo do oceano?
Porque essa danada dessa caixa preta, laranja, não envia sinais o tempo todo e já se vai fazendo uma cópia do que ela gravou, assim não precisaria nem procurá-la depois. Deixaria até de ser preta, seria caixa laranja mesmo.
Só sei que eu não me conformo com a dificuldade desse processo, por mais difícil que ela possa ser.
Já existem estudos e testes de aplicação de multas via satélite, através da localização por GPS.
Já existem pessoas que podem ser rastreadas via GPS, como medida anti-seqüestro.
A Claro, operadora de telefonia celular, oferece serviço de rastreamento de linhas aos seus usuários, aquele tipo de serviço que serve para a mulher procurar saber onde está o marido sábado à tarde, ou para o pai saber por onde anda a sua filha mais nova num sábado à noite.
Mas ninguém inventou ainda um sistema pra localizar facilmente um avião. Tem que ser no achômetro.
Eu não poderia deixar de dar parabéns ao deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA) pela sua proposta de lei que altera a forma do divórcio no Brasil.
Finalmente alguém percebeu que não fazia o menor sentido ter separação judicial para só depois de dois anos poder fazer o divórcio.
Pois então, leitores e leitoras, como no futebol, agora basta fazer a rescisão de contrato!
Quem quiser ter mais informações pra usar na comemoração, pode acessar o link abaixo com a notícia completa.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/02/ult5772u4226.jhtm
Não sei se você sabe, mas assim como todo seguro, o convênio médico é uma aposta.
O convênio aposta que você não vai usar e você aposta para não precisar dele.
Na maior parte das vezes, isso dá certo.
Você paga, eles recebem. Você não usa e isso dá lucro.
Mas, eis que aparece um médico engraçadinho, que solicita materiais caros para uma cirurgia laparoscópica para extração de rim (nefrectomia por via laparoscópica), e põe a perder todo o lucro obtido com aquele conveniado durante muito tempo.
Isso está acontecendo com um amigo meu. O convênio não quer pagar determinadas coisas.
O médico solicitou 12 clipes de Hem-o-Lok (Polímero) por sua segurança, ao custo individual de R$ 350,00 reais, ou seja, um custo total de R$ 4.200,00. E, por uma questão de dissecção mais segura do rim e maior controle hemostático, solicita, também, uma tesoura coaguladora de ultra-cision, descartável, que custa R$ 4.000,00. Pois bem.
Se o custo desses materiais, para o convênio, saem em R$ 8.200,00, pobre do meu amigo se tiver que pagar a cirurgia sob a chancela de “particular”.
Estaria agindo o médico com preciosismo demais? Ele pediu 12 clipes e o convênio liberou 4! Será que dá pra fazer com 4? Ou será que o médico queria os outros 8 pra ele?
Como saber?
Ninguém tem garantia de nada nesse país.
Uma coisa é o convênio torcer para que você não precise dele hora nenhuma. Outra coisa é ele não querer pagar quando você precisa.
A decisão de extrair um rim, ou qualquer outro tipo de intervenção cirúrgica, parte da premissa da necessidade.
Extração de rim não é cirurgia estética, muito menos uma mera questão de opção. Trata-se de um procedimento necessário, de risco, que envolve uma vida humana que paga, caro, para se valer do bendito do convênio quando necessita dele.
Tanto quanto os escândalos no congresso nacional, nas administrações estaduais e municipais, somos vítimas da prevalência e persistência do dolo.
Ninguém faz nada nesse país para mudar alguma coisa.
As pessoas reclamam das autoridades, mas continuam delegando a pessoas de má fé, de total desinteresse com a população e com as leis, a autoridade municipal, estadual ou federal que lhe permite tramitar impune acima da lei.
O poder do looby capitalista, defensor dos direitos de quem normalmente não cumpre seus deveres, age à luz do dia em todas as esferas do poder, interferindo em todas as decisões que deveriam apenas promover o bem estar social, e não apenas dar lucro.
Ao negar instrumentos ou procedimentos a um paciente, o convênio médico deveria levar em consideração o tempo de contribuição do conveniado, a quantidade de solicitações e utilizações que o mesmo fez enquanto conveniado, e, até se, dentro do número de usuários ao qual ele é ligado, seja familiar ou empresarial, esse conveniado especificamente, deu lucro ou prejuízo.
De toda forma, não faz nenhum sentido que o convênio negue o procedimento sem um esclarecimento que dê tranquilidade ao seu conveniado que vai fazer um procedimento de risco.
O convênio precisa informar ao seu conveniado porque cortou 8 dos 12 clipes solicitados pelo médico e porque negou a compra da tal tesoura. Aliás, outra coisa a se especular é porque esses materiais são tão caros, como, por exemplo, essa simples tesoura descartável que custa sozinha o valor de bens duráveis como uma moto que dura no mínimo 10 anos.
Caso contrário, além das mazelas da nossa política, continuaremos a falar sobre clipes, tesouras, convênios e lucros.
Se meu amigo não resolver esse problemas, eu volto ao assunto. Mas da próxima, falo o nome do convênio.
Só vendo de perto para acreditar.
De repente uma chama – que não se apresentava assim como tão perigosa – se torna uma labareda com um imenso poder destruidor, que começa a consumir tudo o que cruza o seu caminho.
Os vidros das janelas simplesmente derretem a olhos vistos, ferros vão retorcendo e madeiras, plásticos e tecidos se transformam em combustível para que o fogo se alastre com a velocidade e a força de uma catástrofe.
Não, não estou falando do incêndio da fábrica de Diadema.
Estou falando do incêndio em uma residência que fica diante do meu escritório.
Tão logo vi a primeira chama, liguei para os bombeiros.
A família ainda estava no interior da casa. Nesse momento, eram duas idosas, um rapaz deficiente, uma criança de uns 12 anos e dois cachorros.
A menina saiu correndo de dentro da casa desesperada olhando a chama começar a tomar força e consumir o quarto onde tudo começou.
Aos poucos sai uma idosa, depois a outra, e a menina entra novamente na casa e sai com amparando o deficiente.
Muita fumaça preta sai de dentro da casa, e penso que foi um “milagre” essa menina ter conseguido tirar o deficiente lá de dentro, e, acreditem, fez isso carregando um dos cachorros debaixo do braço.
Enquanto essa pequena corajosa garota salva seu parente, estou ao telefone falando com o corpo de bombeiros ao telefone.
O atendente quer saber o endereço, o bairro, o CEP, meu nome, meu telefone de contato, e quando eu esbravejo dizendo que o fogo está consumindo a casa enquanto ele pede essas informações, pra mim, nesse momento, inúteis, esse mesmo atendente me informa que já havia outro registro desse incêndio, o que me deixa ainda mais furioso.
Fico ali em pé vendo o fogo se alastrar, a vizinhança se aglomerar, as labaredas derrubarem o telhado, a laje, as colunas de fumaça saírem pelo teto do que agora é apenas um conjunto de paredes que mal se sustenta em pé.
A casa foi consumida em menos de 15 minutos.
Os bombeiros levaram 30 minutos para chegar. Repito, 30 longos minutos, sendo que estamos localizadas entre duas unidades dos bombeiros que, teoricamente, não deveriam levar mais de 5 minutos para chegar.
Mas, chegaram. E levaram pelo menos mais 10 minutos para colocar suas roupas protetoras, ligar as mangueiras e entrar na casa.
Nessa altura do campeonato, não havia mais nada para ser efetivamente apagado.
Só o que fizeram mesmo foi resfriar o local, e eu nem sei também para que, pois não havia mais nada para queimar, nem salvar, nem proteger.
Os 30 minutos entre meu chamado e a chegada dos bombeiros foram suficientes para que a vida de uma família ficasse reduzida às cinzas.
Segundo versos dali da rua, o fogo começou com um curto-circuito num carregador de celular, que todos nós, por puro comodismo, costumamos usar e deixar ali plugado na tomada, pra facilitar nossa vida.
Felizmente, a família saiu fisicamente ilesa, apesar de o mesmo não poder ser dito quanto ao psicológico e ao emocional.
Um dos cachorros não teve a mesma sorte. Mas, ainda bem que foi um dos cachorros. Seria muito mais triste e trágico se fosse uma das pessoas.
Tive três aprendizados nesse episódio:
a) não se deve confiar na fiação de imóveis muito antigos;
b) não se deve deixar equipamentos ligados nas tomadas sem necessidade;
c) os bombeiros nem sempre chegam a tempo.
NÓS ESTAMOS DANDO GRANDES PASSOS PARA ESCREVER O FIM. DA NOSSA.
Ano 2182.
A população mundial é de 1 bilhão e trezentos milhões de habitantes, ante 6 bilhões de habitantes no ano de 2009.
Mais da metade da população morreu de epidemias diversas, fome e guerras.
Os sobreviventes são basicamente os habitantes dos países ricos. Estão vivendo às margens dos pólos por falta de condições de habitação nas zonas quentes do planeta.
Essas áreas estão contaminadas com uma alta densidade de bactérias, germes e todo o tipo de microrganismos.
O buraco na camada de ozônio é extenso.
As poucas florestas mais parecem pequenos jardins e os desertos atravessam continentes.
A temperatura às margens dos pólos é em torno de -10 graus centígrados. Nas áreas quentes a temperatura mínima é de 25 graus centígrados. A máxima ultrapassa os 50 graus em inúmeras regiões.
O cenário é futurista, amedrontador, talvez irreal demais pra poder ser verdade. Mas ele não é impossível, e, pior, não chega a ser improvável.
Talvez eu não tenha acertado na temperatura, na extensão dos desertos, no número de habitantes, nas zonas que serão quentes ou frias… Mas isso não importa. A questão fundamental é que individualmente cada hipótese citada é possível.
Assim como a AIDS, a gripe aviária foi um sinal importantíssimo sobre como funciona a evolução do nosso sistema de vida.
A não assinatura do Tratado de Kyoto pelos americanos é uma continua a contribuição para o acontecimento de furacões como o Katrina, catástrofes como aconteceu em Santa Catarina, estiagem como acontece em nosso nordeste e no norte da África.
Guerras desnecessárias como a do Iraque, ou como palestinos e judeus, ou afegãos e americanos, ou russos e chechenos, ou chineses e tibetanos, pra que servem?
Desmatamento desenfreado, a começar pelos países ricos que dizimaram suas florestas e matas sem se preocupar com sua preservação e agora urgem pela segurança das nossas florestas pra disfarçar o seu verdadeiro interesse pela nossa biodiversidade. E a nossa incompetência em preservar o que é nosso, mas preservando leis inócuas, sistemas de controle precários, políticas e políticos indecentes.
A crise mundial é talvez o mais próximo do fundo do poço que a humanidade chegou.
Como sempre se disse no Brasil, a crise é de moral. O mundo perdeu o moral. A política mundial perdeu o moral. As sociedades estão sem moral.
Hoje, nenhuma instituição tem o poder de reconduzir a sociedade como um dia fez a igreja.
Não se aglutina mais pessoas através do temor a Deus.
Não se faz mais guerra por ideologia, como fez um dia Hitler, que além de tudo era louco, xenofóbico.
Não se muda mais uma sociedade como fez Fidel e não o fará Hugo Chavez.
Não se muda mais o rumo de uma história como fez Mao Tse Tung, nem mais se conquista o mundo como fizeram os “Cézares” ou Gengis Khan.
O capitalismo precisa parar. O socialismo não serve como alternativa.
Não se pode aplicar Darwin na economia.
Para as espécies vivas, os mais fortes sobrevivem aos mais fracos. Já na economia, essa seleção natural leva a exploração dos mais fracos pelos mais fortes.
Nada de igualitarismo.
Seja qual for o modelo social, dificilmente escaparemos da criação de níveis. Mas o mundo precisa urgentemente de um novo modelo social e de ideal.
Ainda tenho pra mim que em breve será criado um cargo mais poderoso que o do presidente dos Estados Unidos. Mas, de preferência, que não seja ocupado por um americano. Pelo menos não no começo de uma nova história.
Não sei por que, de repente, me veio à cabeça que dois grandes impérios que ruíram terminavam com “ano”. Império Otomano e Império Romano.
Ano de 2009.
A População mundial é de 6 bilhões de habitantes no ano de 2009.
Se ninguém fizer nada de produtivo, mais da metade dessa população vai morrer de epidemias diversas, fome e guerras.
Os sobreviventes serão basicamente os habitantes dos países ricos. Estarão vivendo às margens dos pólos por falta de condições de habitação nas zonas quentes do planeta.
Essas áreas estarão contaminadas com uma alta densidade de bactérias, germes e todo o tipo de microrganismos.
O buraco na camada de ozônio será extenso.
As poucas florestas mais parecerão pequenos jardins e os desertos atravessarão continentes.
A temperatura às margens dos pólos será em torno de -10 graus centígrados. Nas áreas quentes a temperatura mínima será de 25 graus centígrados. A máxima ultrapassará os 50 graus em inúmeras regiões.
Por mais que a sociologia, a psicologia, o cinema, a literatura, a ciência e o próprio planeta falem, mostrem, provem, indiquem, sugiram e tudo mais que termine em “am”, “em”,”im”, “om” ou “um”, o ser humano aprende muito pouco sobre sua própria existência.
Não é por excesso de opiniões que me manifesto.
É pela falta delas.
Como pode o certo estar certo sem o errado para lhe contrapor?
Qual é o lado certo?
Errado é o teu lado, o meu lado.
É o lado de lá, ou o lado de cá.
Depende do lado que você está.
Mas defina seu lado.
É bom ter um lado na história.
Pretendo relatar um caso a seguir, mas quero antes informar que os códigos morais, sociais e legais vigentes, exigem que eu tenha o máximo de cuidado nas minhas colocações, uma vez que uma palavra mal colocada pode gerar uma impressão errada do que eu realmente disse.
Ao lado do edifício onde moro existe um conjunto de casas no mesmo terreno, a qual podemos chamar de condomínio de baixíssima renda. Um ambiente que destoa bastante com a qualidade do bairro.
O imóvel pertence a uma herança – ainda a ser deixada, uma vez que o patriarca da família ainda não morreu – para uma penca de filhos.
Quando me mudei para cá logo descobri o pagode que acontece na casa da dona Dilma. É surpreendente. Começa umas duas da tarde e sabe-se lá a hora que vai terminar. E normalmente eles acontecem naquele fim de semana que eu realmente tava a fim de descansar.
Além do tipo de música já não ser do meu agrado, a qualidade dos grupos que fazem a tal da música é péssima.
O repertório é curto, repetitivo, os caras esquecem a letra, mudam a letra, desafinam, cantam embolados de um jeito que mal dá pra entender as palavras e me enchem o saco o sábado inteiro.
Eu gostaria muito de entender de onde surge dinheiro pra tanta cerveja.
Durante a semana já ouvi discussões com ameaça de morte por causa da moeda de um real que tava na base do ventilador. Já ouvi irmão chamar irmão pra porrada por causa da camisa que ele vestiu. Já vi a mulherada quase arrancar cabelo por causa do leite Itambé (olha o merchandising aí Zé Geraldo da Itambé) que estava escondido debaixo da pia, atrás do botijão de gás.
Mas o dinheiro pra cerveja do pagode não falta. E ninguém se lembra da moeda, da camisa ou do litro de leite.
Mais recentemente, mudou-se para a casa dos fundos um grupo de rapazes, cuja opção sexual é diferente da minha.
E desde então, o referido condomínio de baixíssima renda tornou-se quase que um local de eventos de baixíssima renda, pois a moçada adora uma festa. E adora também gritar aos quatro ventos os eventos inerentes as sua opção sexual.
Acho isso muito engraçado porque eu nunca vi ninguém ficar gritando no quintal de casa a forma que fez sexo com sua mulher/marido na noite passada.
Nunca ouvi nenhuma vizinha gritando na janela de casa o tamanho do instrumento de trabalho do seu marido. Muito menos se foi bom, se valeu a pena, ou coisas do gênero.
Fico me perguntando se isso tem alguma coisa a ver com a tribo a que eles pertencem ou se é apenas falta de educação mesmo.
E tanto quanto o pagode da dona Dilma, eles também me enchem o saco o sábado inteiro e muitas vezes a madrugada do domingo.
Até a dona Dilma reclama; o que me dá – confesso – certo prazer de vê-la provar do próprio veneno. É o troco. Mas me enche o saco do mesmo jeito.
Aí eu me pergunto: como dizer a verdade sem denotar preconceito ao mesmo tempo?
Não tenho nada contra as coisas que não me incomodam. Cada um pode ser o que for, como for. Mas o “onde for” tem que ter o limite do direito do outro.
Eventualmente eu posso escutar o pagode da dona Dilma, mesmo sem gostar. Entendo perfeitamente o direito dela, mas não posso lhe dar o meu direito de não querer isso todo fim de semana no meu ouvido. E isso precisa ser respeitado por ela.
Já sobre os rapazes cuja preferência sexual se opõe radicalmente a minha, desses, eu não sou obrigado a escutar nada.
Não sou obrigado a saber das particularidades e promiscuidades de suas vidas privadas.
Não posso respeitar quem não me respeita, quem não respeita as pessoas que estão a sua volta, que não tem noção dos limites da vida em sociedade.
Aí, eu respondo: a verdade às vezes é preconceituosa mesmo, pois o preconceito nasce da forma como o outro atinge a sua liberdade. Até a dona Dilma reclama.
Belo Horizonte. Noite de 22 de abril, domingo. Mais de 22 horas. Ao diminuir a velocidade para fazer uma conversão, um carro é bloqueado por um sujeito que, do nada, surgiu na sua frente. O freio é acionado para não atropelá-lo. Também do nada outros dois sujeitos aparecerem diante das portas do carro e anunciam o assalto. Pedem que a motorista saia calmamente com a bolsa na mão, sem reação. Ela, quase imóvel, sai do carro conforme solicitado. Sem reação.
Ao se posicionar fora do veículo, a motorista é fortemente agredida com uma coronhada na cabeça. Cai ao chão.
Sem motivação nenhuma os três sujeitos aplicam-lhe uma seção de pancadas. Coisa sem explicação. A vítima começa a perder os sentidos tentando se aproximar de seu carro. Desmaia.
Não roubaram seu carro. Não levaram seus cartões. Jogaram no chão seus documentos. Levaram algum dinheiro, pouco. E o seu celular. Mais nada.
Tivesse tido um fim mais trágico, essa narrativa poderia ter sido feita no programa Linha Direta. Seria mais um daqueles casos de violência inexplicável e talvez até insolúvel.
Mas a cidade é Belo Horizonte e a vítima uma de nossas professoras, Alexandra, que dá aulas de ética e filosofia.
Uma moça extremamente calma, muitíssimo simpática, de corpo pequeno, fisicamente incapaz de reagir contra a violência que sofreu.
Acordou na delegacia e foi encaminhada para o hospital, onde ficou internada três dias se recuperando das agressões sofridas.
No total, ficará de licença médica por quinze dias.
Estamos em pleno dia do trabalho. E, realmente, temos muito pouco a comemorar.
A mentira, a corrupção, o desmando, a falta de projetos factíveis e necessários, a falta de promoção social nos trouxe ao caos.
A imensa maioria da população brasileira não saiu da parte de baixo da pirâmide de Maslow e não tem perspectivas de que isso realmente aconteça.
A violência urbana é a parte visível da inércia social em que vivemos.
Os poderes perderam a legitimidade, perderam os limites da decência, da moralidade e riscaram definitivamente a palavra ÉTICA de seus dicionários, exatamente uma das matérias que a professora Alexandra dá aulas.
Vamos ficar calados até quando?
A violência não está apenas nas ruas. Ela é visível em nossas casas, nosso trabalho, na nossa sala de aula. Nossa passividade diante dela está criando um mundo onde as ruas são terra de ninguém e o cidadão é refém da sua própria sorte.
Não podemos ficar chocados apenas porque conhecemos a professora Alexandra. Temos que nos chocar com a proximidade da violência e buscar de alguma forma uma maneira de manifestar nossa indignação.
(texto publicado por HSN em http://www.faculdademental.com.br/editorial2.php?not_id=0000757)
Um brasileiro ganhou uma corrida no Brasil, correndo num carro italiano, com pneu japonês, no dia que um alemão se retirou das pistas e um espanhol foi campeão correndo num carro francês.
Tudo isso significa globalização. E globalização é fazer parte de um todo. O orgulho da vitória não tem classe social. A gente se associa na vitória. E quando se trata de Brasil, temos excelentes motivos para isso.
Quem não sentiu orgulho ao ver aquele macacão verde-amarelo no ponto mais alto do pódio? Quem não sentiu uma pontinha de orgulho ao ouvir o hino nacional brasileiro num momento que já nos foi tão comum com Airton Senna, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi?
É neste rumo que o Brasil precisa andar. Com a velocidade da Fórmula 1. Escolher o presidente certo para o Brasil tem que ter a mesma importância que damos ao fato de ter um piloto brasileiro na melhor equipe de Fórmula 1 do mundo.
Esta é a semana decisiva para que tomemos uma decisão bem pensada sobre quem vamos escolher para governar nosso país nos próximos quatro anos.
O presidente da república é o sujeito que nós vamos colocar no pódio. Esse precisa usar macacão verde-amarelo todos os dias durante os próximos quatro anos. E não tem “pit stop” se a coisa engrossar. Tem que ir até o fim. Todos os escândalos precisam ser devidamente investigados e precisa promover punições exemplares, independente do candidato, independente do partido.
Como na Fórmula 1, um governo tem que ter estratégia e saber como agir na diversidade. Escolher um ministério é como escolher o tipo de pneus que vai ser usado na corrida. Todo o risco tem que ser calculado.
Para que um piloto se saia bem numa corrida é preciso haver completa sinergia entre piloto e equipe, pois é a equipe que deixa o carro perfeito. O piloto só dirige. E ganha ou perde de acordo com o trabalho feito por todos.
Não desperdice seu voto no dia 29. Pense em quem você realmente acredita que possa fazer do Brasil um país em que todos os brasileiros se orgulhem.
Obrigado, Felipe Massa por ter dado a todos nós esse orgulho de ver um brasileiro ganhar uma corrida no Brasil, correndo num carro italiano, com pneu japonês, no dia em que um alemão se retirou das pistas e um espanhol foi campeão correndo num carro francês.
(texto publicado por HSN em http://www.faculdademental.com.br/editorial2.php?not_id=0000457)
Certa vez fui a uma palestra.
O nome que costumam dar pra enfeitar o pavão é workshop. Mas é palestra mesmo. Uma senhora simpática, com voz firme, boa postura, boa de microfone, boa de powerpoint, falava sobre etiqueta.
Era uma matéria obrigatória da faculdade, eu nem sabia o tema quando entrei. Mas se alguém me dissesse que aquela dona era treinadora de príncipe e princesa, eu acreditava. E ainda mudava o chamamento de “aquela dona” pra “aquela dama”.
E aí eu caí na real. Perguntei pra confirmar minha suspeita. O famigerado workshop era sobre etiqueta.
Entre tentar entender o que uma palestra sobre etiqueta pode contribuir profundamente na formação acadêmica de um administrador e tentar prestar atenção no que aquela senhora tinha pra dizer, eu percebi que eu tinha caído de pára-quedas no mundo. Aliás, fiquei na dúvida até se não tava caindo mesmo, pois aquele papo todo foi uma viagem.
A boa educação é sempre bem vinda. Mas etiqueta?
Naquele momento eu descobri que existe algo mais chato do que ouvir partida de xadrez pelo rádio: palestra sobre etiqueta ministrada por uma dona/dama, com powerpoint.
Uma das aulas de machismo mais profundas que eu já assisti.
Uma série de dicas comportamentais que reacendiam posturas machistas e que, exceto pela cultura semi-inútil, não agregavam aos ouvintes o valor que deveriam agregar uma disciplina.
Muitas vezes, até, a dificuldade não está na qualidade das palestras ou dos palestrantes, mas no contexto em que ela se encaixa. Mas naquele caso, as duas coisas eram realmente ruins.
Mas tirei um grande aprendizado daquela situação: pra não perder a etiquera, não é falta de etiqueta ter falta numa matéria que fala sobre etiqueta.
(releitura do texto publicado por HSN em http://www.faculdademental.com.br/editorial2.php?not_id=0000118)
E a palavra correta é geminada mesmo, e não “germinada” como, infelizmente, fala-se por aí.
Londres é assim. Um gigantesco conjunto habitacional com imóveis baixos, a maioria de “tijolo a vista”, com unidades de um, dois, três… Até quatro e cinco quartos. E caros. O metro quadrado mais caro da Europa.
Qualquer filme passado em Londres mostra exatamente como é isso.
Se nem todas as casas têm garagem, carro quase todo mundo tem.
Em qualquer rua residencial londrina, de qualquer bairro, vê-se um verdadeiro desfile de BMWs, Mercedes, Porches, Hondas, Corollas, Mini Coopers, Subaros, Jeeps, Land Rovers, Pathfindres, Lexus, Smarts, e qualquer outra marca e modelo de carro de passeio ou utilitário que você deve estar pensando que eu me esqueci de mencionar aqui. E mexem com os sonhos de qualquer cidadão médio brasileiro. Ali, estacionado na rua.
E como as casas todas muitíssimo parecidas, uma pessoa se destaca pouco da outra em termos de moradia. E isso pra eles também não é uma coisa que faça muita diferença. Aliás, em Londres, nem carro significa status. Teoricamente, qualquer um pode ter quase qualquer carro, um modelo mais velho, um mais novo. E mesmo os mais velhos e mais baratos são carros bons. A qualidade da cidade contribui muito pra isso. Bom asfalto e muitas pequenas obras de reparação por todos os lados.
Esse grande conjunto residencial chamado Londres tem um sistema de transporte que funciona pontual, confortável e espetacularmente, seja de metro, ônibus ou trem, e liga você de qualquer lugar a qualquer lugar da cidade e arredores, interligando também o aeroporto internacional. Detalhe: tudo muito bem divulgado e sinalizado.
Mas, se você está de saco cheio de brasileiro, não vá pra Londres. Nem pra morar, nem pra passear. Tem brasileiro pra tudo que é lado.
E se você não gosta de indiano, corre de lá também. Nos bairros e no centro as comunidades indianas se destacam na paisagem pela roupa. Já na Harrods, quem mais aparece na paisagem são os muçulmanos. De repente surge na sua frente uma burca que além do rosto e dos cabelos, esconde roupas e perfumes de grifes, caríssimos, o que significa na verdade que na verdade o que elas mais escondem debaixo da burca é o dinheiro. E como gastam.
Pra quem mora em Londres, os pontos turísticos tradicionais fazem parte da paisagem cotidiana e do tumulto cotidiano que o londrino enfrenta.
Congestionamentos, multidões de pessoas das mais diferentes culturas e dos mais diferentes idiomas que até justificam um pouco o modo mais sisudo de ser do londrino.
Mesmo que o idioma inglês predomine no comércio gerado pelo turismo, muitas vezes o consumidor estrangeiro e o comerciante inglês têm que se virar pra conseguir comprar e vender. É um festival de mímicas e palavras isoladas, mas que sempre acabam se transformando em libras. E nada de euro por lá, ninguém gosta muito do euro em Londres.
Por outro lado, faltam lixeiras em Londres. A cidade está muito suja.
Quem tem o mau hábito de jogar papel no chão, seja em Belo Horizonte, Nova York, Cidade do México, Johanesburgo, Buenos Aires ou qualquer outra cidade do mundo, sente-se a vontade pra jogar papel no chão no centro de Londres.
Nos bairros, o lixo é recolhido uma ou duas vezes por semana. Uma contradição no meio de um sistema social tão eficiente em coisas bem mais complexas do que o planejamento da coleta de lixo, como, por exemplo, o monitoramento da cidade por câmeras, espalhadas em postes por todo o canto. Provavelmente é possível seguir uma pessoa pela cidade até na hora que ela faz xixi num banheiro do metro ou almoça um delicioso sanduba sentado na grama de um parque da cidade. Se der sorte numa sombra, ainda que o londrino prefira o sol, tão raro. Você se torna um participante compulsório do Big Brother, pois, meu amigo, em Londres não tem só o Big Bem. Lá tem o Big Brother de verdade.
Se ainda assim você acha que Londres é uma cidade que vale a pena conhecer, não se esqueça de aparecer por lá no verão, pois todas as impressões acima dizem respeito a dias de verão.
Ainda que nas ruas continue o desfile de BMWs, Mercedes, Porches, Hondas, Corollas, Mini Coopers, Subaros, Jeeps, Land Rovers, Pathfindres, Lexus, Smarts, e qualquer outra marca e modelo de carro de passeio ou utilitário que você deve estar pensando que eu me esqueci de mencionar aqui, provavelmente no inverno todos estarão cobertos de neve ou quase sempre muito molhados. E você também estará andando com muita pressa e muito encapotado pra se esconder do frio que nem vai dar pra reparar direito a marca e o modelo de carro que está estacionado por onde passa.
Também não vai ficar reparando que as casas nos bairros são quase todas iguais, muito menos se tem um, dois, três ou mais quartos, pois o guarda-chuva que você vai ter que ficar freqüentemente segurando acima da sua cabeça vai tirar um bocado do seu ângulo de visão, além do que você vai estar preocupado em não enfiar o pé numa poça de neve ou de água no chão à sua frente.
O sistema de transporte coletivo certamente continuará pontual e confortável e você deverá continuar tomando cuidado com seus comentários em português nos lugares públicos e vai perceber menos as roupas indianas e muçulmanas, pois até que usa burca tem que se encher de casacos no longo inverno londrino.
Talvez os arredores dos pontos turísticos fiquem com o chão menos sujo no inverno, ou fiquem sujos e molhados, só vendo pra saber. E se no verão o recolhimento do lixo uma vez por semana parece pouco, no inverno esse prazo deve ser uma benção, pois sair no frio e na chuva pra por lixo pra fora de casa deve ser uma tarefa muito mais chata que o normal.
Esqueça os parques e os sandubas nos gramados dos jardins. Nem é preciso passar por essa experiência pra saber que fica inviável.
E, com tudo isso, a casa geminada de 50m2 com quarto, sala, cozinha, banheiro e jardim compartilhado continua valendo hum milhão de reais. A diferença é que dificilmente você vai ter coragem de compartilhar o jardim com o seu vizinho no inverno.

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