07 dez 2011 @ 10:43 AM 

… e por mais improvável que fosse, ele surge no Rio de Janeiro, nos arredores de uma favela carioca.

Imbuído de sua missão divina de salvar a humanidade, Jesus rapidamente busca uma praça perto da comunidade e começa sua pregação.

- Irmãos, eu lhes trago a palavra de Deus!

Mal Jesus começa a falar e é interrompido por um rapaz forte que se interpõe entre ele e a multidão.

- Aí chefia, pra falar nessa praça aqui tem que ter autorização do cara lá de cima.

E Jesus retruca:

- Meu filho, é exatamente em nome dele que eu estou falando.

O rapaz enfia a mão no bolso e saca uma listinha. Olha de cima a baixo e diz:

- Acho que vossa senhoria tá equivocado, chefia. De acordo com minha listinha aqui quem ia usar a praça hoje era o pastor Estive Jobinson de Jesus, da igreja ali da esquina, um tal de Vanderleisson Cláudio,  candidato a vereador que é apoiado pelo homem lá de cima, e as meninas do grupo de funk, as periguetes do funk. Mais ninguém.  Como é que é teu nome, chefia?

E Jesus responde:

- Eu sou Jesus, não me reconhece?

E o rapaz responde e ri:

O Estive Jobinson?

E Jesus responde:

- Sou apenas Jesus!

E o rapaz fala:

- Vai me dizer que tu é o Biu Gaites de Jesus…..kkkkkkkk

E Jesus fala:

- Eu sou Jesus, meu filho. Sou seu Salvador!

E o rapaz fala:

- Qualé mermão. O seu Salvador eu conheço, é o cara que da tv a gato. Tá tirando onda com a minha cara? Olha só, seu Jesus. A comunidade aqui é organizada, sabe como é? Não dá pra ficar ocupando a praça sem permissão do cara lá de cima. Então se tu tá querendo falar aqui tem que falar com ele.

- Meu filho, eu vim em missão de meu pai. Sou filho de Deus!

- Qualé mermão, pensa que só tu que é? Eu também sou filho de Deus! E se quiser falar aqui nessa praça, precisa da autorização do homem lá de cima.

Nesse momento, Jesus, morto de pena daquele pobre coitado,  ergue os braços, se dirige aos céus e fala baixo e mansamente:

- Pai! Ajudai-me! Dai luz a esse pobre coit…

Antes mesmo de terminar Jesus é hostilmente interrompido pelo rapaz:

- Pópópópópó pará! Nada de usar celular com blutufe pra falar com o cara. Eu quero ver ele autorizar pessoalmente!

Mais uma vez Jesus se dirige aos céus e fala:

- Pai, conceda-me um milagre.

Mais uma vez Jesus é interrompido:

- O chefia, tu vai toma um teco desse jeito! Ou corta essa ligação ou toma um teco.

Então Jesus, resignado, baixa os braços.

Acompanhado de mais três elementos, o rapaz se aproxima de Jesus, prende seus braços nas costas com um lacre e venda seus olhos.

- Pois então seu Jesuish, agora tu vai conhecer o homem lá de cima.

E Jesus responde:

- Eu o conheço mais do que você imagina meu filho.

E o rapaz:

- Aí, pó pará de me chama de meu filho, moro? Eu sou filho do Chiquinho Mata Vinte, e ele tá doido pra mudar de nome pra vinte e um.

Jesus então se cala e apenas se deixa levar, sendo puxado e empurrado pelos becos da favela.

E depois de muita puxada e empurrada ladeira acima, eis que eles param diante de uma casa grande no meio alto da favela, uma posição privilegiada. O rapaz toca o interfone e uma voz surge no alto falante:

- quem?

E o rapaz responde:

- é nóis, 35, 21 e 07. Pista limpa e bonita.

O portão eletrônico se abre.

Eles entram e encaminham Jesus até uma sala onde se encontram outras pessoas.

O rapaz se dirige ao chefão:

- Aí majestade. Esse camarada aqui tava falando sem autorização na praça, já se enrolou todo, falou que era o pastor, depois disse que era o cara da tv a gato e disse que te conhece muito bem! E ainda veio tira onda dizendo que só ele é filho de Deus.

O rapaz tira a venda dos olhos de Jesus que avista então seu anfitrião.

O chefão então fala pra Jesus.

- Então tu me conhece.

Jesus olha nos olhos do chefão e diz:

- Eu te conheço muito bem meu filho.

O rapaz interrompe:

- E ainda tem essa mania de fica chamando a gente de filho!

O chefão fala pra Jesus:

- Tu é de onde, malandro? Tu tá vindo de qual UPP? Esse governador filho de uma égua fica inventando essas UPP e toda hora me aparece um filho de uma ronca e fuça querendo invadir minha área. Tu é polícia desgraçado?

Jesus olha novamente dentro dos olhos do chefão:

- Meu filho, vim com a missão de te salvar, de salvar os pecados da humanidade. Chegou a hora da redenção!

E o chefão, estupefato:

- Rendê é o ¨*&%($#), entendeu? Ninguém aqui vai se rendê não. A gente tamo armado até os dente! Pode subir quem quiser que a gente arrebenta! Pôrra, tu é de onde merrrrrrmão?

Jesus baixa os olhos e uma pequena lágrima escorre dos seus olhos. Volta-se depois para o alto e diz:

- Perdoai pai, eles não sabem o que fazem!

E o rapaz:

- Tá vendo, majestade! O cara é o maior tirador de onda.

E o chefão:

- Faz o seguinte, bota o cara nos pneu e taca fogo!

E Jesus:

- Meu filho, eu já fui crucificado uma vez. Meu pai me mandou de volta, mais uma vez, pra salvar a humanidade. Muitos serão os escolhidos, mas poucos entrarão na casa do meu pai!

E o chefão:

- Mermão, não sei qual foi a maconha que você fumou, mas deve ser boa. Eu não sei quem é teu pai e se eu tiver que entrar na casa dele eu entro na bala, entendeu? Moçada, bota o cara no pneu!

Então, Jesus é encaminhado para o alto do morro. Chegando lá eles o começam a colocar pneus em volta dele. E Jesus diz:

- Mais uma vez um “Pilatos” me impede de cumprir minha jornada.

E o rapaz:

- Cara, tu é folgado demais! Vai virar churrasquinho e ainda tá querendo fazer pilates! Isso aqui tem cara de academia, por acaso?

Jesus mais uma vez olha o céu e fala com Deus:

- Pai, não é justo. Mal cheguei na terra e a humanidade já me condena pelo que eu nem fiz!

Então, finalmente, Deus fala diretamente com Jesus:

- Meu filho, eu te falei que não era a hora ainda. Você insistiu e eu consenti que voltasse, mas já sabia qual seria o desfecho. Volta pra casa, agora você não vai conseguir fazer nada.

E Jesus fala com Deus:

- É, meu pai, você tinha razão.

Nesse momento, Jesus começa a levitar em direção ao céu. Os capangas do Chefão assustados começam a disparar em direção a Jesus, mas nenhuma bala o acerta, até que ele desaparece.

Desconcertados, os capangas correm no chefe e contam o acontecido:

- Majestade, você não vai acreditar! O camarada saiu voando, parece que tomou red bull!

E o chefão responde:

- Vocês tão fumando o que? Eu já não falei que não pode fumar nem cheirar enquanto tão trabalhando? Esquenta não moçada. Mas fica de olho pra esse sujeito não aparecer aqui de novo.

Então o chefão olha pra cima e diz:

- Tá vendo só Deus! Depois que a gente apaga uns maluco desse tipo a gente ainda é pecador!

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Last Edit: 07 dez 2011 @ 06:07 PM

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 16 set 2011 @ 10:49 PM 
Era o último dia de uma visita que durou mais que dois dias e meio.
Domingo pela manhã, na calçada, em frente ao alpendre.
Perguntei pra minha mãe que flores bonitas eram aquelas que estavam numa jardineira na rua. Algumas vermelhas, outras brancas, uma folhagem rasteira.
Ela me disse que se chamam Onze Horas (também chamadas de Funcionárias em outras cidades) e que elas nasciam todos os dias pela manhã – provavelmente às onze horas – e morriam no mesmo dia. Que beleza triste essa!
Perguntei um pouco mais, até que ela me ofereceu trazer algumas mudas.
Eu recusei, disse que não tinha a menor paciência pra plantas. E fomos almoçar.
Minha mãe mora numa cidade do interior de São Paulo. Não é uma roça, muito pelo contrário. Mas ainda leva muito tempo pra se tornar uma cidade média.
Muitos são os motivos pra que eu a veja pouco, assim como poucos são os motivos pra que eu não a veja mais vezes.
Rotina, distância, trabalho, família, viagens. Muita coisa que no fundo não justifica que a gente se veja apenas duas a três vezes por ano. E quase sempre por dois dias, dois dias e meio.
Do meu ponto de vista, penso que filhos são ingratos sempre.
Quando éramos crianças só nos preocupávamos com nosso mundo.
Na adolescência acrescentávamos o total desinteresse pelo mundo a nossa volta.
Já na juventude nossa preocupação revezava entre não deixar de ser adolescente e aproveitar ao máximo a condição de jovens.
Viramos adultos e nossa preocupação passa a ser com o coração e com o trabalho.
Ficamos mais velhos e temos a nossa própria família pra nos preocuparmos.
E nossos pais (ou só o pai, ou só a mãe) sempre estiveram à margem de nossas vidas, mas dificilmente foram o centro delas. E nós – acredito eu que na maioria dos casos – sempre fomos, de um modo ou de outro, o centro de suas vidas, pelo menos por muito tempo.
Ao colocar a minha mala no carro, minha mãe me aparece com um saco plástico cheio de mudas de Onze Horas. Disse que tinha de três cores: rosa, branco e vermelho.
Eu não recusei. Coloquei o saco plástico no chão, atrás do banco do motorista.
Setecentos quilômetros mais tarde, já anoitecendo, estava eu chegando em casa.
Peguei minha mala e subi.
Na porta de casa me lembrei das mudas de Onze Horas. Mas eu não ia voltar nem a pau pra pegar. Quatro lances de escada. Com certeza não iriam morrer até o dia seguinte.
Veio à segunda-feira, voltei a minha rotina. E mais uma vez só na porta de casa eu me lembrei das Onze Horas. Só que mais uma vez eu não ia descer e subir a escadaria de novo pra pegar.
No dia seguinte, acho eu que por complexo de culpa mesmo, lembrei das danadas das mudas.
Cheguei em casa e fui procurar um vaso pra colocar.
Eu sabia que umas violetas tinham andado por lá, e encontrei dois pequenos vasos ainda com terra. Dura feito um pedaço de pau.
Dei uma quebrada na terra, molhei um pouco, e acabei conseguindo plantar as mudinhas.
E daquele dia em diante, eu comecei a subir e ir molhar as plantinhas.
Elas foram crescendo, acabei comprando uns vasinhos mais adequados, terra, alguns vasos maiores, e então começaram a nascer flores, rosa, branco e vermelho, e eu fui gostando daquilo e reparando que toda vez que eu estava cuidando das minhas Onze Horas eu se lembrava da minha mãe.
Naqueles momentos eu conseguia repassar a minha vida, focalizando minha relação com a minha mãe, relembrando fatos, levantando curiosidades, analisando momentos, situações da nossa vida. E lá se vão pelo menos uns seis anos.
Hoje, não tenho mais Onze Horas. Quando reparei que já tinha nove jardineiras só com Onze Horas eu resolvi diminuir a quantidade e acabei ficando com tão poucas que morreram. Mas hoje eu tenho cerca de trinta vasos uma boa variedade de plantas, em especial algumas mini-rosas, nas cores rosa, branco e vermelho.
E mesmo não tendo mais as Onze Horas, regar as minhas plantas continua sendo um momento em que eu penso na minha mãe.
Não que eu não pense na minha mãe em outros momentos. Mas tornou-se um momento em que habitualmente me dedico a pensar nela.
Acho que a Dona Wanda não sabia que ela tinha tantas plantinhas.

Era o último dia de uma visita que durou mais que dois dias e meio.

Domingo pela manhã, na calçada, em frente ao alpendre.

Perguntei pra minha mãe que flores bonitas eram aquelas que estavam numa jardineira na rua. Algumas vermelhas, outras brancas, uma folhagem rasteira.

Ela me disse que se chamam Onze Horas (também chamadas de Funcionárias em outras cidades) e que elas nasciam todos os dias pela manhã – provavelmente às onze horas – e morriam no mesmo dia. Que beleza triste essa!

Perguntei um pouco mais, até que ela me ofereceu trazer algumas mudas.

Eu recusei, disse que não tinha a menor paciência pra plantas. E fomos almoçar.

Minha mãe mora numa cidade do interior de São Paulo. Não é uma roça, muito pelo contrário. Mas ainda leva muito tempo pra se tornar uma cidade média.

Muitos são os motivos pra que eu a veja pouco, assim como poucos são os motivos pra que eu não a veja mais vezes.

Rotina, distância, trabalho, família, viagens. Muita coisa que no fundo não justifica que a gente se veja apenas duas a três vezes por ano. E quase sempre por dois dias, dois dias e meio.

Do meu ponto de vista, penso que filhos são ingratos sempre.

Quando éramos crianças só nos preocupávamos com nosso mundo.

Na adolescência acrescentávamos o total desinteresse pelo mundo a nossa volta.

Já na juventude nossa preocupação revezava entre não deixar de ser adolescente e aproveitar ao máximo a condição de jovens.

Viramos adultos e nossa preocupação passa a ser com o coração e com o trabalho.

Ficamos mais velhos e temos a nossa própria família pra nos preocuparmos.

E nossos pais (ou só o pai, ou só a mãe) sempre estiveram à margem de nossas vidas, mas dificilmente foram o centro delas. E nós – acredito eu que na maioria dos casos – sempre fomos, de um modo ou de outro, o centro de suas vidas, pelo menos por muito tempo.

Ao colocar a minha mala no carro, minha mãe me aparece com um saco plástico cheio de mudas de Onze Horas. Disse que tinha de três cores: rosa, branco e vermelho.

Eu não recusei. Coloquei o saco plástico no chão, atrás do banco do motorista.

Setecentos quilômetros mais tarde, já anoitecendo, estava eu chegando em casa.

Peguei minha mala e subi.

Na porta de casa me lembrei das mudas de Onze Horas. Mas eu não ia voltar nem a pau pra pegar. Quatro lances de escada. Com certeza não iriam morrer até o dia seguinte.

Veio à segunda-feira, voltei a minha rotina. E mais uma vez só na porta de casa eu me lembrei das Onze Horas. Só que mais uma vez eu não ia descer e subir a escadaria de novo pra pegar.

No dia seguinte, acho eu que por complexo de culpa mesmo, lembrei das danadas das mudas.

Cheguei em casa e fui procurar um vaso pra colocar.

Eu sabia que umas violetas tinham andado por lá, e encontrei dois pequenos vasos ainda com terra. Dura feito um pedaço de pau.

Dei uma quebrada na terra, molhei um pouco, e acabei conseguindo plantar as mudinhas.

E daquele dia em diante, eu comecei a subir e ir molhar as plantinhas.

Elas foram crescendo, acabei comprando uns vasinhos mais adequados, terra, alguns vasos maiores, e então começaram a nascer flores, rosa, branco e vermelho, e eu fui gostando daquilo e reparando que toda vez que eu estava cuidando das minhas Onze Horas eu se lembrava da minha mãe.

Naqueles momentos eu conseguia repassar a minha vida, focalizando minha relação com a minha mãe, relembrando fatos, levantando curiosidades, analisando momentos, situações da nossa vida. E lá se vão pelo menos uns seis anos.

Hoje, não tenho mais Onze Horas. Quando reparei que já tinha nove jardineiras só com Onze Horas eu resolvi diminuir a quantidade e acabei ficando com tão poucas que morreram. Mas hoje eu tenho cerca de trinta vasos uma boa variedade de plantas, em especial algumas mini-rosas, nas cores rosa, branco e vermelho.

E mesmo não tendo mais as Onze Horas, regar as minhas plantas continua sendo um momento em que eu penso na minha mãe.

Não que eu não pense na minha mãe em outros momentos. Mas tornou-se um momento em que habitualmente me dedico a pensar nela.

Acho que a Dona Wanda não sabia que ela tinha tantas plantinhas.

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Last Edit: 16 set 2011 @ 10:49 PM

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 20 ago 2011 @ 11:29 AM 

Dona Lúcia mora em Ibirité e trabalha no Sion. É empregada doméstica há mais de 15 anos e aos sábados a tarde faz faxina em duas outras casas. Ela precisa ganhar dinheiro.
Apesar de semi-alfabetizada, Dona Lúcia aprendeu a fazer contas do pouco que sempre ganhou. Como administradora autodidata, aprendeu a guardar o pouco que podia até que conseguiu comprar seu lote e construir um pequeno barracão de quatro paredes e um banheiro onde vive com seus dois filhos.
O pai deles… Só Deus sabe dele. Nunca contribuiu muito mais do que fazer os filhos. Sumiu no mundo.
Vida de pobre é assim mesmo. As dificuldades viram diretrizes de vida. E o negócio é dormir pra acordar amanhã e cumprir mais uma etapa.
Depois do barracão, a meta de Dona Lúcia é poder dar aos filhos o que não teve a chance de ter, educação.
Um menino de 17 anos e outro de 15.
O mais velho está no primeiro ano do ensino médio. O mais novo na sétima série do ensino fundamental. Ambos atrasados na escola.
Já entraram na escola tardiamente. E, por um motivo ou outro, como a falta de informação de Dona Lúcia, a jornada de trabalho de Dona Lúcia, a falta de alguém que a ajudasse a criar os filhos, a distância de uma escola pública, a falta de condução, a falta de dinheiro para a condução, a falta de quem levar seus filhos na escola, a falta de vagas na escola…
Dona Lúcia não pode fazer greve. Ela é sumariamente demitida, e, até então, sem direito a FGTS (Fundo de Garantia por tempo de serviço) e outras regras básicas da lei que só empregados domésticos não tem direito.
O sonho de Dona Lúcia é formar seus dois filhos. E pra isso deu a eles o que pode e o que não pode para que chegassem até aqui, mesmo atrasados na escola.
Depois de maiores, a escola era, inclusive, o sossego de Dona Lúcia.
Seus filhos gostam da escola, gostam de estudar, querem algo melhor na vida, a mãe lhes passou esses valores e sempre usou a própria história pra que eles entendessem isso.
Dona Lúcia ganha pouco mais de um salário mínimo no seu emprego e faz quase a metade disso com as faxinas aos sábados à tarde.
Ela não tem biênio, triênio, qüinqüênio, férias prêmio, e na verdade mal teve férias em toda sua carreira de doméstica. Sempre foi mais interessante vender as férias. Para ela e para suas patroas.
Dona Lúcia sai de casa às 5 horas da manhã pra pegar serviço às 7 horas no Sion.
Sua patroa entra no serviço às 7 horas também.
Dona Maria lava e passa roupas, cozinha, limpa a casa, lava banheiro, retira lixo, faz faxina, faz algumas compras no supermercado pra patroa, e ainda fica de olhos nos três filhos da patroa à tarde. Os três estudam pela manhã em uma escola particular.
Dona Lúcia sai do trabalho às 18 horas e chega em casa depois das 20. Repete em sua casa parte da jornada que já realizou na casa da patroa, entre elas, e principalmente, preparar a comida dos filhos para o dia seguinte. Eles até se viram, mas o básico ela tem que deixar.
Limpa alguma coisa, conversa alguma coisa, deita e dorme. Tem que acordar as 4:30 pra pegar o ônibus às 5.
Dona Lúcia anda preocupa com seus filhos. Muito.
A escola deles está em greve há mais de 40 dias. Mais um atraso na vida deles.
São 40 dias que eles estão em casa sem aula. Estão dispersos, sem foco, sem orientação, jogando bola, na rua, soltos durante o dia. Isso não é bom.
Só que Dona Lúcia precisa trabalhar, pode se preocupar, mas não pode se ocupar disso. Só se preocupar mesmo.
E anda preocupada também com o seu trabalho. Muito.
A patroa de Dona Lúcia é professora estadual. Está em casa há 40 dias, em greve. E já avisou que se a justiça mandar cortar seu ponto é capaz do salário de Dona Lúcia atrasar. E disse também que se o governo não der um reajuste decente, não sabe se vai conseguir manter o emprego de Dona Lúcia. Afinal, são três filhos em escola particular, custa caro, e se a renda familiar não melhorar vai exigir sacrifícios, podendo ser um deles o emprego de Dona Lúcia.
Com isso tudo, Dona Lúcia está aprendendo que os governantes são corruptos, que não se incomodam com a educação, que exploram os funcionários públicos, que mentem quando somam os biênios, triênios, qüinqüênios, férias prêmios e gratificações aos salários pra dizer que professores ganham bem, e que se eles não fizerem um reajuste bom a greve vai continuar, ela poderá perder seu emprego e seus filhos continuarão sem aulas.
Pra garantir, Dona Lúcia está pensando em pegar mais umas duas faxinas pelo menos, nem que seja aos domingos ou à noite se alguém quiser.
Talvez o mais velho tenha que trabalhar pra ajudar, estudar a noite quando a greve acabar.
Mas eles têm que se formar, essa é uma determinação dela. E vão precisar estudar muito pra conseguir, e se Deus quiser vão conseguir, assim que a greve acabar.
Malditos governantes! Dona Lúcia aprendeu isso.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 20 ago 2011 @ 11:29 AM

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 22 set 2010 @ 2:46 PM 

O DIA DA VERGONHA

O dia de hoje há de ser inserido na história do Brasil como um dia de muita vergonha.

Nesse dia 22 de setembro de 2010, o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça brasileira, vai julgar a constitucionalidade da aplicação da Lei da Ficha Limpa já nessas eleições, como foi entendido pela maioria dos Tribunais Regionais Eleitorais e também pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O julgamento de hoje vai decidir se é constitucional aplicar uma lei que proíbe de concorrer a cargo eletivo pessoas que não cumpriram outras leis em vigor no mínimo há 22 anos, fora outras tantas que tem até mais de 40 anos.

A mais alta corte desse país vai deixar de tratar de processos infinitamente mais importantes para definir se é constitucional ou não proibir pessoas comprovadamente desonestas de concorrer a um cargo eleitoral.

Estamos dando um atestado de ridículo perante a sociedade e ao mundo.

O Sr. Joaquim Roriz, que moveu a ação de inconstitucionalidade da aplicação da lei nessas eleições, foi condenado por improbidade administrativa em 2005. Em 2007 renunciou ao cargo de senador para evitar sua cassação após acusações de corrupção. Também está envolvido no escândalo do mensalão do Distrito Federal, ao qual José Roberto Arruda só teria dado continuidade.

Esse cidadão de 74 anos de idade já foi governador do Distrito Federal 4 vezes, além de outros serviços prestados à nação. E parece não se dar por satisfeito.

Segundo a imprensa, TV Globo e Folha de São Paulo como exemplos, os juízes do STF estão divididos quanto à constitucionalidade da aplicação da lei.

A Lei da Ficha Limpa é na verdade uma redundância, pois a constituição por si só defini o que é uma pessoa de ficha limpa ou não. E nem deveria ser preciso criar uma lei só pra definir que quem não cumpre com as outras leis não pode ter o direito de administrar ou participar da administração do dinheiro e da vida de quem cumpre essas mesmas leis.

A Constituição Brasileira de 1988 é hoje não mais do que um livro de orientação para o Supremo Tribunal Federal, pois o que mais se faz é interpretar e reinterpretar leis e decisões judiciais de instâncias menores, cada qual com seu entendimento e subjetividade.

Fica a critério da consciência de cada juiz entender uma lei de uma forma ou de outra, quando deveria aplicá-la da forma cega e rigorosa que se espera que uma lei atinja qualquer cidadão de qualquer camada da sociedade.

O que temos visto no Brasil nos últimos 20 anos é uma sucessão de escândalos protagonizados pelas mais ilustres figuras da política nacional, que os praticam amparadas por um conjunto de leis inócuas, ineficazes, ineficientes, que amarram nosso judiciário e atrasam nosso desenvolvimento enquanto nação e sociedade.

Entre os maiores males da nossa justiça estão às diversas vias utilizadas para atrasar o andamento de processos, muitos culminando na sua prescrição do prazo. Fazem parte dessa lista pareceres, habeas corpus, liminares, pedidos de vista de juízes.

O Brasil precisa necessariamente passar por um processo revolucionário em sua constituição. Mas isso é impossível de ser feito enquanto essa corja de políticos, descompromissados com o país, continuar a ser eleita.

Nunca vi uma pesquisa a respeito, mas minha sensação é a de que temos a pior qualidade de representatividade em todos os níveis da administração pública. Salvam-se muito poucos.

Promover desenvolvimento, distribuição de renda, assistência (ou assistencialismo) social não é mérito para nenhum governante, é obrigação.

Criar leis que promovam benefícios à sociedade não é mérito de nenhum vereador, deputado ou senador, também é obrigação.

Porém, o fato de promover desenvolvimento, distribuir renda, dar assistência (ou assistencialismo) social e promover benefícios à sociedade não dão a ninguém o direito de estar acima dessas leis.

O Brasil vem batendo seguidos recordes de arrecadação e somos nós, empresas e pessoas físicas, que pagamos essa conta. E temos o direito e a obrigação de começarmos a promover uma mudança significativa na forma como escolhemos nossos representantes e governantes, assim como a obrigação de procurar esclarecer quem não tem essa percepção.

Se a decisão do Supremo Tribunal Federal ratificar o entendimento das instâncias eleitorais na constitucionalidade da se aplicar a lei nessas eleições e barrar políticos “fichas sujas”, podemos imaginar que conseguimos realmente dar um passo adiante na reconstrução de uma classe política que venha a representar dignamente a sociedade brasileira.

Caso contrário, se a lei for considerada inconstitucional, veremos apenas novas histórias com velhos personagens.

Esperemos que esse dia da vergonha fique restrito apenas ao fato do Supremo Tribunal Federal ter que julgar a constitucionalidade da aplicação da Lei da Ficha Limpa, isso se nenhum ministro resolver pedir vistas ao processo e empurrar essa decisão para depois das eleições. Tudo é possível nesse país.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 20 ago 2011 @ 11:25 AM

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 05 jul 2010 @ 12:55 PM 

Dunga, que deveria ser o Mestre, resolveu ser Zangado.
Não permitiu a ninguém nem um Atchim, perdeu, voltou
Dengoso e não fez ninguém Feliz.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 05 jul 2010 @ 12:55 PM

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 18 mar 2010 @ 4:35 PM 

O Brasil tem erros estruturais, oriundos de uma cópia do sistema presidencialista americano.
Ao copiá-lo, logicamente, nossos digníssimos signatários de outrora fizeram nele o
que chamaram de adaptação à nossa realidade, mas que, na verdade, foram alterações que beneficiavam interesses escusos.
Temos um problema seríssimo no que diz respeito ao pacto federativo.
Na nossa constituição, o subsolo pertence a União, e não aos estados.
Já na constituição americana, se sair petróleo no quintal da sua casa o direito de explorá-lo é seu.
Temos um sistema de arrecadação que junta tudo na conta da união e ela devolve porcamente uma mísera parte aos estados.
Os americanos, ao contrário, arrecadam individualmente e mandam uma parte para a União. É com ela que o presidente americano faz política externa, guerras e trata das calamidades. No fundo quem paga é sempre o contribuinte.
Nosso pacto federativo permitiiu que estados como São Paulo, que sempre dominou fortemente a política nacional, crescecem e se estruturassem na magnitude em que estão, enquanto os outros estados, em especial os do nordeste, minguassem na mão
de políticos que se beneficiram de monopólios e oligopólios (Sarney, ACM e outros) sem necessariamente defender suaa regiões como deveriam.
Assim, dentro do nosso pacto federativo, o petróleo que se extrai do Rio e do Espírito Santo, assim como o minério que se extrai do solo de MInas Gerais, pertencem de fato a União, e não aos estados.
As últimas conscituições trataram de pagar os tais roayalties a esses estados, coisa que antigamente nem existia.
Não defendo o projeto de lei de Ibsem Pinheiro, mas acho que ele se torna produtivo a medida que promove o questionamento sobre o modelo de pacto federativo que temos em nossa constituição.
Esse é o momento de travar uma discussão séria sobre esse assunto, idéia amplamente defendida por Aécio Neves e outros democratas de fato.
Nosso sistema presidencialista precisa passar por uma revisão profunda, tirando do presidente a prerrogativa de emitir medidas provisórias a seu bel prazer, num desrespeito profundo ao congresso nacional, esse sim, incumbido de legislar.
É essa fórmula maluca e retrógrada que torna o congresso refém de escândalos e mensalões, pois é a forma que o executivo usa para barganhar com os congressistas a favor de suas idéias e quase nunca a favor do país.
Quanto ao Rio de Janeiro em particular, o lamentável é que desde o golpe militar de 1964 tem sido governado por políticos escrotos, que pouco ou quase nada fizeram pelo estado a não ser contribuir para a instalação desse caos social.

A saber:

Cordolino José Ambrósio 1º de maio de 1964 4 de maio de 1964 Presidente da Assembléia Legislativa
Paulo Francisco Torres 4 de maio de 1964 12 de agosto de 1966 Governador nomeado
Teotônio Araújo 12 de agosto de 1966 31 de janeiro 1967 Vice-governador nomeado
Jeremias Fontes 31 de janeiro de 1967 31 de março de 1971 Governador nomeado
Raimundo Padilha 31 de março de 1971 15 de março de 1975 Governador nomeado
Governadores pós-fusão      
Floriano Peixoto Faria Lima 15 de março de 1975 15 de março de 1979 Governador nomeado
Chagas Freitas 15 de março de 1979 15 de março de 1983 Governador eleito indiretamente
Leonel Brizola (primeira vez) 15 de março de 1983 15 de março de 1987 Governador eleito  
Moreira Franco 15 de março de 1987 15 de março de 1991 Governador eleito  
Leonel Brizola (segunda vez) 15 de março de 1991 2 de abril de 1994 Governador eleito  
Nilo Batista 2 de abril de 1994 1 de janeiro de 1995 Vice-governador eleito
Marcello Alencar 1 de janeiro de 1995 1 de janeiro de 1999 Governador eleito
Anthony Garotinho 1 de janeiro de 1999 6 de abril de 2002 Governador eleito
Benedita da Silva 6 de abril de 2002 1 de janeiro de 2003 Vice-Governadora eleita  
Rosinha Garotinho 1 de janeiro de 2003 1 de janeiro de 2007 Governadora eleita  
Sérgio Cabral Filho 1 de janeiro de 2007 atualidade Governador eleito

Tratando da questão pós fusão com o estado da Guanabara (outro absurdo), vê-se que o estado sempre esteve mal representado, inclusive atualmente.
A divisão do petróleo do pré-sal não pode de forma alguma servir de chantagem política com ameaças de não haver verbas para a realização das olimpíadas e da copa do mundo, pois esses dois eventos foram aprovados sem se contar com esse dinheiro.  Além disso, a União vai arcar com grande parte dos investimentos necessários para a realização desses eventos, tornando ainda mais inócua a chantagem proposta.
Os cariocas deveriam ir às ruas, sim, mas para não permitir mais que Brizolas, Garotinhos, Rosinhas e Beneditas governem um dos maiores cartões postais do mundo e que Lulas, Dilmas e Dirceus jamais voltem a comandar os destinos do nosso país.
O mesmo Rio de Janeiro que durante mais de um século foi a porta de entrada do Brasil, hoje, graças a violência e desgoverno, é, infelizmente, motivo de medo lá fora e aqui dentro, além de ser, politicamente, uma chacota nacional.
Não é só do dinheiro do petróleo que o Rio de Janeiro precisa. Precisa, principalmente, de governantes com vergonha na cara e noção do interesse público.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 18 mar 2010 @ 04:37 PM

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 06 mar 2010 @ 2:49 PM 

Pensando no planeta terra como mundo, são 365 voltas por ano.
Quando olho para os meus 46 anos, vejo que lá se foram ao menos 16790 voltas.
É muita volta!
Pensando nos últimos 30 anos, começando pelo auge da minha adolescência, é alguma coisa em torno de 10950 voltas.
Continua sendo muita volta!
Quanta coisa mudou nesses 30 anos.
Quantas coisas eu vivi, vi, ouvi, fiquei sabendo…
Um muro que caiu e transformou o mundo, ditadores que sumiram do mapa, fomos tetra e penta campeões de futebol, continuamos sendo campeões em acidentes de trânsito, o vai e vem do espaço no espaço se tornou corriqueiro, a estabilidade da nossa economia, um operário no poder, atentados e guerras abalaram e abalam o mundo, viramos potência mundial em vôlei, mas ainda não sabemos lidar com a dengue, muito menos dividir decentemente a renda do nosso país.
Muitas pessoas me foram caras e raras, outras próximas, distantes, influentes, influenciadas, presentes, ausentes, colaborativas, destrutivas, verdadeiras, falsas…
Milhares de coisas me fizeram ser o que sou. Experiências boas, ruins, traumáticas, únicas, pessoas que chegaram e partiram, coisas que tive e que perdi.
E então pergunto: o que a minha vida tem de diferente da sua?
O processo do “viver” é idêntico para todas as pessoas. O mundo não deu essas voltas somente para mim.
Ao se preocupar com as voltas que o mundo dá você verá dele o mesmo que vê quando esta num carrossel. Os pontos são referências estáticas, repetitivas, e que percebe que para ver alguma coisa novamente, ou você espera o carrossel girar ou olha para trás, o que pode até dar enjôo.
Ao contrário, se você se coloca fora do carrossel, consegue perceber que existe um todo, e que, quando estava dentro dele, o estático era você e não as referências.
Viver é estar no carrossel, mas poder sair dele e ver de perto aquelas referências, percebê-las de maneira diferente, sem que pra isso elas percam o status de referência.
Viver é entender que derrubar muros depende de nós e não dos muros. E que pular muitos muros pode ser mais interessante do que derrubá-los, mesmo sem saber o que há do outro lado.
Então, o que muda de uma pessoa para a outra não é necessariamente as voltas que o mundo dá e sim as voltas que ela dá por ele.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 31 mar 2010 @ 02:16 AM

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 03 mar 2010 @ 6:33 PM 

Desde que Lula assumiu a presidência da república, o MST, que já praticava o terrorismo rural, passou a atuar com mais liberdade e desnvoltura.

Tanto quanto nos meios políticos, os maiores aliados do MST são a impunidade, a lentidão da justiça, a inoperância das polícias nas investigações e autuações e o conjunto de leis absolutamente superado e mal interpretado, dando margem para que processos como esse abaixo continuem a acontecer.

Invasão de fazendo pelo MST (vídeo seguro – youtube)

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 03 mar 2010 @ 07:15 PM

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 28 fev 2010 @ 11:44 PM 

Lamento informar, mas, de certa forma, não importa o que você foi, é ou será. Você vai virar estatística.
O que diferencia sua existência é o tipo de estatística na qual você vai aparecer.

Se você é o tipo de pessoa acomodada, que não faz nada além de acordar, estudar, trabalhar e dormir, sua participação na estatística será apenas numérica, pois mesmo que se estratifiquem dados e gráficos, você só terá contribuído para “engrossar o caldo”.

O que muda o enfoque da questão é o tipo de estatística na qual você aparece.
Por exemplo, Barack Obama é o primeiro negro a ser presidente dos Estados Unidos.
Isso não o define apenas como estatística, mas o coloca num patamar onde a pessoa fez a diferença.

Talvez, daqui a duzentos anos ele possa ser um percentual dos negros que conseguiram ocupar a presidência dos Estados Unidos. Mas, até lá, ele terá sido o cara, pois, em termos percentuais, ele, hoje, representa 100% dessa estatística.
Diferentemente de uma pessoa que sofreu um acidente na via Dutra, que será apenas mais uma entre tantas outras, um traço percentual dessa estatística.

Outra forma de encarar a estatística nas nossas vidas é quando observamos dados históricos sobre um determinado evento.
Como exemplo, se estatisticamente sabe-se que a cada cem pessoas que passam por um determinado local uma delas é roubada, ao passar por esse local pela centésima vez sua chance de engrossar essa estatística aumenta consideravelmente.
Outro exemplo é que se você sabe que a cada x pessoas que comparam carne num determinado açougue levam o produto estragado, se você continuar comparando nesse açougue em breve poderá ser uma delas.

Muito doido isso, não?

Assim, quando faço a pergunta título desse texto, o que realmente provoco é um pensamento sobre o que fazemos com nossas vidas nos diversos eventos e momentos dela.
Tem gente que vai passar toda vida sendo apenas um traço percentual de uma estatística em tudo o que faz.

Lula foi o primeiro operário a ser presidente do Brasil.
Quantos operários conseguiriam isso?
Quantos operários será que ambicionaram ou ambicionam o mesmo cargo que ele?

Bem, aí você pode-me dizer que ambicionar não basta. E eu respondo: será que não?
E então lhe faço uma pergunta: o que faz uma pessoa de sucesso ser reconhecida como uma pessoa de sucesso?

O que fizeram Barack Obama e Lula serem reconhecidos como pessoas de sucesso em suas aspirações?
A resposta é simples. Eles fizeram mais do que se esperava deles.

Quando Lula se candidatou a presidência da república pela primeira vez ele não tinha a menor chance.
Quando Barack Obama anunciou que era pré-candidato a presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata todos riram dele.
Mas ambos fizeram mais do que se esperava que eles fizessem. Eles persistiram, trabalharam arduamente por seus objetivos e deixaram de ser, respectivamente, mais um operário que ambicionou ser presidente do Brasil e mais um negro que ambicionou ser presidente dos Estados Unidos.

Meus exemplos são propositalmente superlativos, com o objetivo de mostrar que tudo é possível quando você não se contenta em ser apenas um dado estatístico na história, ainda que, de uma forma ou de outra, você vá parar nas estatísticas da mesma forma.

Uma pessoa foge da estatística quando ela não se acomoda com o mundo em que vive e faz as coisas de modo a deixar a sua marca pessoal, fazendo a diferença entre os outros e perante o todo.

Meu caso, por exemplo. Hoje, sou dono de um blog entre os milhares de blogs que existem na internet. Mas, se você está me lendo nesse momento é porque eu sou persistente, expondo aqui meus pensamentos e minha forma de encarar a vida.

Se o que eu escrevo fizer diferença para você ou para qualquer outra pessoa, nem que seja apenas uma, meu blog está deixando de ser apenas mais um blog na internet e minha pessoa está deixando de ser apenas uma estatística na sua vida.

Entendeu pessoa?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 28 fev 2010 @ 11:44 PM

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 27 fev 2010 @ 12:33 PM 

Desde 2009 o governo brasileiro está em litígio com o governo italiano, após conceder refúgio político a Cesare Battisti, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo armado de extrema esquerda ativo na Itália no fim dos anos 1970.

Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas.

O ministro da justiça, Tarso Genro, foi quem concedeu o status de refugiado político à Battisti, causando um enorme distúrbio nos meios diplomáticos.

Porém, o Supremo Tribunal Federal julgou a questão e entendeu que Battisti deve ser extraditado para Itália.

A decisão final está nas mãos de Lula, que até o momento não tomou nenhuma atitude, mas em diversas declarações deixa transparecer sua simpatia por Battisti.

Cesare Battisti foi preso no Brasil em 2007.

Curiosamente, no dia 22 de julho do mesmo ano de 2007, durante a realização dos jogos panamericanos no Rio de Janeiro, os boxeadores olímpicos cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux abandonaram a delegação cubana.

A única coisa que eles queriam era ir fazer carreira na Europa.

Os dois foram encontrados num hotel na cidade praiana de Araruama, região dos lagos no Rio de Janeiro. No dia 4 de agosto do mesmo ano de 2007, praticamente 10 dias após o abandono da delegação, eles foram deportados para Cuba no dia 4 de agosto.

Tudo resolvido em praticamente 10 dias.

O ministro da justiça envolvido no caso é o mesmo Tarso Genro. E o presidente do Brasil o mesmo Lula.

Vale à pena clicar nos links logo abaixo para entender as diferenças de pesos e medidas dos dois casos.

Cesare Battisti, um participante da luta armada, envolvido em atentados e com um passado onde constam assaltos a mão armada desde a juventude.

Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, dois jovens boxeadores cubanos cujo maior crime foi nascer e viver sob o regime de Fidel Castro.

Dilma Roussef, candidata de Lula à presidência da republica, foi declaradamente terrorista, militou na luta armada, praticou assaltos e seqüestros.

Se ela for eleita presidente do Brasil, eu não me espantaria se ela concedesse refúgio político a Osama Bin Laden.

 Caso Cesare Battisti - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Battisti_(1954)

 Caso dos boxeadores cubanos – http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL83186-5606,00.html

 Dilma Roussef – http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff

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Last Edit: 27 fev 2010 @ 12:33 PM

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 21 fev 2010 @ 11:16 AM 

O motivo
Eu nunca fui bom de química. Nunca nem me interessei sobre o assunto.
A gente acaba aprendendo uma coisa ou outra, mas, cá pra nós, pra que ser química pra quem sempre pretendeu trabalhar com comunicação?
Era o primeiro ano do científico. Eu peguei prova especial de química e tinha que passar. Eu e mais uma dúzia, o que mexia com meu espírito de Robin Wood. Ou seria de José Roberto Arruda?

O professor
O nome era o Ricardo, um sujeito alto que usava óculos, tinha voz forte, firme, barba rala. Usava um jaleco branco, andava de um lado pro outro da sala enquanto dava aula. Às vezes brincalhão, mas na maioria do tempo só queria mesmo falar de química.

O ambiente
Naquele ano eu havia “roubado” diversas provas.
É dona Sonia, confesso, foram várias. E não era difícil não.
Os professores rodavam as provas no estêncil (que coisa arcaica meu Deus!) e simplesmente amassavam a matriz e jogavam no lixo. E eu pegava. Simples assim.
Até que num determinado momento o servente (como era mesmo o nome dele? Cícero?) passou a entregar esse lixo diretamente na mão do lixeiro.
Que trabalho isso me deu. Quando soube tive que correr atrás do caminhão de lixo e comprar o lixo nas mãos do lixeiro. Fiz isso pelo menos umas três vezes.

O processo
Era assim. Eu pegava a prova, alguém (ou “alguéns”) resolvia e passávamos para os colegas necessitados (tinha muito não-necessitado que pegava também).
Mas não tinha esse negócio de tirar 10 não. Cada um tirava uma nota muito próxima daquilo que precisava, assim não dava na pinta.
Imagine só, eu, um aluno relapso, de repente tirando 10 em tudo que é prova. Não dava.

A prova de química
E veio a tal prova de química.
Fiquei de olho no lixo. Nada.
Fiquei de olho no professor. Também nada.
Eu sabia que as provas eram rodadas com antecedência e ficavam empilhadas num móvel na sala da diretora até o dia de serem aplicadas aos alunos (me corrija aí se eu estiver errado Sonia).
Pra me certificar do fato, arrumei um motivo sem vergonha qualquer pra ir à sala da diretoria – coisa que muitas vezes eu fazia compulsoriamente. E lá estavam elas, lindinhas empilhadas lado a lado. E eu só precisava por as mãos em uma daquelas centenas de folhas.
Mas como?

O crime
Não dava pra ser nada cinematográfico.
A escola ficava em uma casa de muros altos, em uma avenida movimentada de Copacabana. E eu não tinha a menor vocação pra escalar muros.
Decidi então optar pelo modo mais óbvio e objetivo, bater na porta da escola e conversar com o servente que também fazia o papel de vigia, pois morava na escola. E foi o que eu fiz.
Passei óleo de peroba da cara e no domingo anterior à prova fui lá eu e bati na porta.
E não é que o sujeito abriu? E não só abriu como entendeu meu desespero e me deu acesso até a diretoria.
Peguei a prova e saí de lá me sentindo um ser abençoado por Deus. Um herói para aquela dúzia de pessoas que precisavam de nota tanto quanto eu.
Com o produto do crime nas mãos, corri pra casa da Geíza que ficava no meio do quarteirão ao lado.

A notícia
Cerca de meia hora depois, metade dos interessados já sabia que tínhamos a prova. Mirellinha era uma das mais eufóricas.
Começamos então a procurar quem resolveria a prova pra nós, pois, lógico, se precisávamos tanto de nota é porque não sabíamos nada de química.
Telefonema vai, telefonema vem, e logo encontramos bons alunos de química pra nos ajudar. Entre eles Ana Lúcia Quintaes (não negue colega, agora é tarde).
Lembro que a prova era na quinta-feira seguinte, o que nos deixava com apenas três dias para resolvê-la e decorá-la. E assim foi feito.

O dia da prova
A quinta-feira feira chegou.
Eu tinha decorado até as falhas de impressão do estêncil.
O professor entrou na sala, olhou pra todos e sentenciou:
- Todo mundo pegando uma folha de caderno pra anotar as questões porque eu esqueci a prova em casa.
Pensei com meus botões: porque esse infeliz teria levado as provas para casa se elas estavam empilhadas na sala da diretoria?
E então ele começou a escrever as questões no quadro, totalmente diferente da prova que eu havia surrupiado.
Subitamente um frio começou a correr pela minha espinha, não porque a prova estava diferente da que eu roubei, mas porque aquela dúzia de pessoas estava me fuzilando com o olhar.
Questões colocadas no quadro, Mirella olha para o professor e pergunta:
- Ricardo, você tem certeza que a prova é essa mesmo?
Como a Mirella era ingênua meu Deus! Aff!
Ele fixou o olhar nela, olhou pra mim, voltou o olhar pra ela e disse:
- Porque Mirella, você conhece alguma outra prova?
Mirella estava sentada ao lado da janela. Eu olhei pra ela e conseguia enxergar através dela, pois ela não estava branca não, estava transparente.
Ela respondeu um “claro que não” que era mais do que uma denúncia. Abaixou a cabeça e o silencio se fez absoluto na sala.

Eu e o professor
Um a um os alunos foram entregando as provas, até que ficamos apenas eu e o professor Ricardo na sala.
Eu não tinha sequer escrito meu nome na prova, pois naquele momento acho que nem isso eu sabia fazer.
Ele me olhou e perguntou se eu não ia entregar minha prova.
Perguntei a ele quanto tempo eu tinha pra terminar e ele me disse que eu ainda tinha 20 minutos.
Então respondi que gastaria o tempo que tinha.
Eu ficava olhando pra ele, ele ficava olhando pra mim, certo de que eu não tinha feito uma questão sequer.
E me olhava, e eu o olhava, e levamos aquela encenação até o diálogo final.
Esgotado o tempo ele se levantou da cadeira com ar de quem tinha vencido uma partida de xadrez e me disse:
- O tempo terminou.
Eu me levantei, peguei a prova e fui diretamente pra ele.
Ele olhou minha prova em branco, fez uma cara de muito feliz ao ver que eu não tinha escrito nela nada além do meu nome e me falou:
- Pois é Hermínio, acho que dessa vez eu te peguei.
Com toda a calma do mundo eu olhei pra ele e respondi:
- Você está enganado Ricardo, quem te pegou fui eu.
Ele espantou com minha resposta e antes de falar alguma coisa eu disse:
- Afinal de contas, quem vai ter que me dar aula novamente é você, não é mesmo?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 21 fev 2010 @ 11:18 AM

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 16 jan 2010 @ 12:05 AM 

Pode ter até quem não goste de uma pipoca no cinema. Eu mesmo não sou muito fã e fiquei anos sem comer, em lugar nenhum.

Esse hábito é tão enraizado na nossa cultura que não percebemos, ou não nos questionamos que, em função da bendita pipoca, somos muito mal atendidos nas bombonieres dos cinemas. Na verdade deveriam se chamar pipoconieres, faria mais sentido.

Não sei se é implicância minha, mas se não estiver ali com a barriga no balcão na hora que a pipoca está saindo (e que infelizmente nem sempre é na hora que está começando a sessão), se tiver sorte come pipoca morna, ou fria mesmo se não for seu dia de sorte.

Você já reparou que seja qual for o cinema ou a sessão sempre vai encontrar atendentes mal humorados, dispersos e em número menor do que o contingente de consumidores exige? E que exceto os refrigerantes de máquina o resto nunca está realmente gelado?

Mas, o que mais me intriga são as guloseimas e chocolates. Mais uma coisa que não recebe influência do cinema ou da cidade: as marcas são sempre as mesmas. E que ninguém me diga que uma pesquisa de hábitos de consumo determinou serem essas as marcas e variedades que o público mais consome. Balela.

A verdade nua e crua se divide em duas partes: a) existe um monopólio de negociação com meia dúzia de marcas de produtos; b) eles não estão nem aí pro que o consumidor realmente quer porque como só tem essas marcas mesmo nós vamos consumir o que tiver. E ponto.

Os refrigerantes de máquina são regados a meio copo de gelo e o restante do próprio refrigerante. Por isso que, na sessão de cinema, mal acabaram os trailers e você já consegue notar que seu refrigerante está aguado. Mas você toma assim mesmo e depois fica chupando o gelo achando que ta fazendo um grande negócio.

Tirando a Coca Zero e o Sprit Zero (que aguados ficam ainda mais horríveis do que o refrigerante normal) sobram aos pobres coitados dos diabéticos – entre os quais eu me incluo – as águas levemente gaseificadas, que também poderiam ser chamados de refrigerantes originalmente aguados que a gente também bebe achando que ta fazendo outro grande negócio.

Temos ainda as enormes filas indianas pra conseguir comprar uma ficha, a enorme aglomeração brasiliana na frente do balcão querendo ser atendida sem a menor organização e aqueles funcionários dispersos e mal humorados que estão pouquíssimo interessados em saber se sua sessão ta começando ou já começou.

E bem feito pra você, chegasse mais cedo. Talvez até conseguisse comer pipoca quente.

E falando da digníssima, também é ela que fecha o raciocínio: como pipoca no cinema custa caro!

As pessoas até se dão conta de que é caro, mas penso que ninguém faz a conta de que o preço de um pacote de pipoca no cinema custa, em média, R$ 2,50 no supermercado.

Já vi na lista de preços de algumas bombonieres umas inovações com pão de queijo. Só que entre anunciar na lista de preços e ter pra vender são coisas bem diferentes. E quando tem, ou está frio ou está esturricado.

O que eu quero é que me ofereçam alguma coisa diferente, de qualidade, por um preço mais razoável e que se lembrem que nós, diabéticos, gostamos de guloseimas e pagamos mais caro pelos produtos diet.

E pipoca quente no início da sessão com um refrigerante bem gelado, mas com menos gelo.

Não é pedir muito, é?

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Last Edit: 16 jan 2010 @ 12:11 AM

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Categories: Cotidiano

 06 jan 2010 @ 11:49 AM 

Esses dias, enquanto aguardava uma consulta médica, fiquei vendo um jornal quando a data do mesmo me chamou atenção: 02/01/2010. Achei curiosa a combinação de números, o que me fez pensar quantas vezes teremos datas assim nesse ano.

Então, como a falta do que fazer era mesmo grande, passei a enumerá-las combinando sempre os números 0, 1 e 2:

01/01/2010, 02/01/2010, 10/01/2010, 11/01/2010, 12/01/2010, 20/01/2010, 21/01/2010, 22/01/2010,

01/02/2010, 02/02/2010, 10/02/2010, 11/02/2010, 12/02/2010, 20/02/2010, 21/02/2010, 22/02/2010,

01/10/2010, 02/10/2010, 10/10/2010, 11/10/2010, 11/10/2010, 12/10/2010, 20/10/2010 (muito curiosa essa),

21/10/2010, 22/10/2010, 01/12/2010, 02/12/2010, 10/12/2010, 11/12/2010, 12/12/2010, 20/12/2010,

21/12/2010, 22/12/2010.

Ou seja, em 33 dias desse ano, e também de 2011 e de 2012, as datas terão essas combinações curiosas.

Mas, enfim, para que serve isso? Se nenhum matemático ou exotérico tiver alguma explicação lógica ou exotérica pro fato, eu garanto que pra passar o tempo numa sala de espera de médico isso é muito melhor que que ficar lendo aquelas revistas velhas do ano retrasado.

Quem sabe se numa próxima consulta eu penso quantas vezes isso acontece numa década e num século.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 06 jan 2010 @ 11:53 AM

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Categories: Curiosidades

 29 dez 2009 @ 9:28 AM 

Sou do tempo em que pensar na chegada do ano 2000 causava apreensão. E como ele era distante.

Em 1981, eu e uns amigos marcamos então um encontro para o dia 1 de abril do ano 2000. Faltavam ainda 19 anos para a data e isso parecia uma eternidade.

Estaríamos todos vivos? O mundo ainda existiria?

A incerteza era tanta que por via das dúvidas marcamos o encontro em três locais possíveis, de modo que se algum deles fosse dizimado pelo tempo, ou por alguma catástrofe, teríamos opções para nos encontrar.

E assim, o encontro foi documentado e assinado por todos, e cada um ficou com uma cópia (feita a mão, pois, imaginem, para nós, estudantes de 16, 17 anos de idade, xerox era caríssimo em 1981).

Enfim, veio o ano 2000. E sem que a gente percebesse ou comentasse sobre isso, o mundo não havia mudado praticamente nada. E apesar de termos determinado 3 opções de locais para o encontro (que obviamente não sofreram nenhuma catástrofe), o mesmo foi realizado na casa de uma das amigas do grupo, no dia 1 de abril, como combinado.

Nem todos os signatários foram ao encontro, uma pena. Em compensação outros amigos compareceram e a festa foi muito boa.

Ninguém teceu nenhum comentário significativo por estarmos no ano 2000. O ano em si foi citado muito mais como uma referência de “nossa! quanto tempo passou!”, sem se levar em consideração a idéia inicial futurista e/ou catastrófica que a data representava.

E lá se foram 10 anos desde então. E por mais que o mundo tenha incorporado muito dos filmes futuristas que sempre projetaram carros voadores e viagens espaciais para qualquer cidadão comum, pouca coisa realmente mudou.

A realidade é que ainda temos que lidar com a fome, a violência, as guerras, o analfabetismo, a falta de saneamento básico, as epidemias e pandemias, a má distribuição de renda, subnutrição, situações que demonstram que nos tornamos na verdade uma versão dos Flintstones com o benefício de algumas modernidades dos Jetsons.

Alguns têm micro-ondas enquanto outros não têm sequer comida. Muitos têm potentes celulares que consomem considerável fatia de sua renda, enquanto a renda que sobra mal dá pra se sustentar direito.

Nossa modernidade de 2010 tem uma medicina cada vez mais avançada científica e tecnologicamente, na mesma proporção em que o mundo tem uma população cada vez mais doente, com lugares onde as pessoas ainda morrem em filas esperando atendimento médico.

Estamos à espera da cura do câncer e da AIDS, mas ainda tem gente morrendo de Dengue, de gripe, de Leptospirose.

Enquanto o veículo voador não chega às ruas estão abarrotadas de carros e congestionamentos, causados pelo excesso dos mesmos. Mas, mais do que isso, causados pela inoperância de quem planeja e controla o trânsito e pela ignorância de quem dirige os carros.

E mesmo com toda a tecnologia de 2010, o planeta nunca esteve tão poluído e desorientado climaticamente, sem que uma luz no fim do túnel esteja realmente visível.

A modernidade de 2010 está cada vez mais abarrotada de corrupção, ganância e corporativismo em todos os níveis da sociedade. E o futuro a Deus pertence.

Saudades de 1981.

Que venha 2010.

Feliz ano novo a todos.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 29 dez 2009 @ 09:30 AM

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 14 dez 2009 @ 4:39 PM 

Mal começou o ano de 2009 e já estamos no natal do mesmo.

Se me perguntarem detalhadamente como foram meus meses eu não saberia dizer o que fiz exatamente em cada mês. O que me parece feito outro dia, na verdade foi a meses, quando não, no ano passado ou retrasado.

Às vezes encontramos um amigo que não vemos há algum tempo, e numa conferência rápida descobrimos que esse “algum tempo” significa dois, três anos, até mais.

Li recentemente que às 24 horas do nosso dia hoje equivalem a 17 horas. É como se cada minuto ou segundo tivesse sido encurtado em 29,2%. É como se cada minuto tivesse apenas 42,48 segundos, ou como se uma hora tivesse apenas 42,48 minutos. Muito doido isso.

Mas, mais doido do que isso é a previsão de que em mais 5 anos essas 17 horas se reduzam a 14 horas. Ou seja, a redução passará para 41,7%. Como se uma hora tivesse apenas 35 minutos.

É claro que nossos relógios continuarão marcando os 60 minutos e praxe pra se completar uma hora, mas cada vez mais nossa percepção é de que realmente as horas, os dias, os meses e os anos se tornarão mais curtos.

São muitas as influências para esses acontecimentos, com explicações das mais diversas, que vão da espiritualidade à física quântica. Só que elas existem e mesmo que eu não saiba dar mais esclarecimentos, todos nós percebemos o que está se passando.

Indico o livro 2012, de Gregg Braden, como fonte de informações, uma vez que nesse livro existem dezenas de opiniões e pensamentos referentes a esse tema.

No entanto, não precisamos ir tão a fundo para fundamentar essa passagem tão rápida do tempo. No nosso dia-a-dia fica muito fácil de perceber como algumas coisas acontecem.

Somos híperconectados hoje em dia. O celular que não nos dá trégua e que cada vez mais traz embutidos diversos serviços e informações que consomem nosso tempo. A internet, que simplesmente extinguiu as distâncias e o tempo na circulação das informações. As TVs que, via satélite, nos põem em contato com as informações em tempo real e aproxima povos, culturas e acontecimentos.

E enquanto eu escrevo esse post, e você o lê post, o tempo não parou. E quando me dei conta, esse pequeno texto consumiu mais de 40 minutos meu tempo (com algumas interrupções, claro) e provavelmente de 5 a 10 minutos do seu, o que mostra que produzir continua demorando muito mais do que consumir, deixando claro porque as pessoas trocam tanto de celular, de páginas na internet, de canais de TV…

Como voa esse tempo, não?

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 14 dez 2009 @ 04:39 PM

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 23 nov 2009 @ 12:02 AM 

Que legal saber que você veio conhecer meu novo blog. Não sei se posso dizer que está mais moderno ou mais dinâmico ou mais colorido, mas certamente está mais “EU”, afinal ele inclusive leva meu nome.

Espero que goste e continue meu visitando, afinal o compromisso de escrever com assiduidade é comigo e com você que se deu ao trabalho de vir conhecer esse novo endereço e que, logicamente, deve esperar encontrar textos novos. E passará a encontrar.

E pra quem não sabe e caiu aqui de páraquedas, antes eu escrevia meus textos no http://coisadecanalha.zip.net , mas resolvi ter esse blog num domínio com meu nome. Mas o que tem lá eu transcrevi pra cá, portanto nem precisa perder tempo pra conhecer o anterior, exceto se tiver com tempo sobrando….rs

Mas, seja lá você um leitor(a) do outro blog ou um novo leitor(a), seja bem vindo a esse novo blog.

Ainda não sei se a aparência definitiva será essa, mas por enquanto acostume-se com ela, pois é o que eu to tentando fazer também….rs

E vamos que vamos.

Grato pela preferência e volte sempre!

Posted By: Herminio S. Naddeo
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 22 nov 2009 @ 11:50 PM 

Muito se fala sobre a inveja, mas pouca gente sabe o poder daninho contido nesse sentimento.

Querer algo que não lhe pertence, querer ser algo que você não é. Quando esses sentimentos são exalados no ar eles são capazes de contaminar ambientes e pessoas com uma capacidade destrutiva maior do que a de muitas armas.

A pessoa que inveja alguém ou alguma coisa, mesmo que o faça inconscientemente, está fadada ao fracasso pessoal. Ela é incapaz de obter as coisas por seus próprios méritos ou de reconhecer em si as ferramentas para alcançar os seus desejos.

Assim, se projeta na conquista do outro como se assim conseguisse também desfrutar dessa mesma conquista. Mas não consegue. O máximo que consegue é causar destruição. E quando essa destruição estiver completa a pessoa não tem mais o que invejar. Então, muda seu objeto de inveja, sem, no entanto mudar sua verdadeira condição.

Continuará sendo sempre um invejoso incapaz de obter o que deseja com seus próprios esforços.

Pior que a inveja inconsciente é a inveja consciente, quando a pessoa sabe o mal que está fazendo ao outro e permanece nesse mesmo estado invejoso, sem se preocupar se está causando mal a uma pessoa ou a uma família.

O invejoso, seja ele de que categoria for, é um derrotado. E a inveja é sua única arma, pois não tem nada mais a oferecer a ninguém.

Por sua vez, as pessoas que são alvo da inveja nem sempre estão atentas para perceber que as coisas que estão indo mal na sua vida são causadas por gente que muitas vezes está muito próxima, que se mostra amiga, que se mostra solidária, mas que no fundo se regozija com o cenário de destruição que está causando, consciente ou inconscientemente.

Na maioria das vezes elas só caem em si quando a destruição está completa: uma família desagregada, um emprego perdido, uma relação desestabilizada. É quando o invejoso deixa de se interessar por ela, pois ela não tem mais nada a ser invejado, perde a graça.

Diz a Bíblia que devemos pedir a Deus misericórdia aos invejosos e não sentir raiva deles, pois a raiva contraria o princípio do amor e só alimenta o negativismo causado pela inveja.

Perdôo àqueles que me invejam ou me invejaram e peço a Deus misericórdia aos que, consciente ou inconscientemente, causaram mal a mim, à minha família e as pessoas que quero bem.

Que elas encontrem seu próprio caminho para realizar seus objetivos e que me tenham, no máximo, como exemplo de trabalho, perseverança e felicidade, pois nada do que tenho, seja material ou não, foi conquistado ao acaso ou sem esforço.

Não inveje ninguém. Todos nós somos capazes de conquistar as coisas que desejamos por esforço próprio, sem que para isso seja necessário querer o que não nos pertence.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 23 nov 2009 @ 11:27 AM

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 22 nov 2009 @ 11:49 PM 

Hoje me dei conta disso, da profundidade do que está embutido nessa frase.

Também me dei conta de que deixei ofuscar, quase apagar, o brilho de dentro de mim.

E eu quero meu brilho de volta.

Quero voltar a ser eu mesmo, seguro, confiante, quero voltar a olhar pra cima, para frente, deixar de ver meus pés quando abro meus olhos. Cansei de olhar para o chão.

Minha cabeça foi feita pra ficar ereta sobre meu pescoço, e não pra olhar o chão.

Voltar a ser eu mesmo não significa abrir mão do que conquistei nesse momento. Estou feliz por minhas conquistas, pelas minhas descobertas. Elas seguem comigo.

Até então eu me deixei levar pela síndrome da acomodação, da incondicionalidade de algo que não é incondicional, acreditando que nada mudaria. Mas muda.

E eu precisei mudar; e ainda preciso. Mudar pra melhor no que for ruim. Melhorar o que é bom. Ser, ao menos, bom nas coisas que nunca fui.

Minha timidez nunca me permitiu dançar. Nunca me permiti tratar disso abertamente, sempre alegando que tenho outra relação com a música.

Mentira. Eu só tive mesmo vergonha de dançar e do que as pessoas pensariam de mim me vendo dançar.

Eu tenho vontade de nadar, mas não sei nadar. Um tanto de trauma de infância e outro da mesma vergonha e, durante um bom tempo, de um estado físico bem abaixo de padrões saudáveis pra que ficasse exposto diante de outras pessoas.

Eu quero voltar a viver amor em plenitude, pois ele é pleno dentro de mim.

Eu quero ser um “eu” melhor e vou trabalhar muito pra isso.

Quero trabalhar melhor na minha profissão, voltar a focar meus objetivos profissionais que andaram meio de lado nessa estranha transição.

Quero pensar nas coisas boas que o futuro me reserva, e não apenas nos tombos que ele possa me dar no caminho.

Quero voltar a chorar de alegria e só chorar de tristeza quando ela for mesmo pra chorar.

Abri mão da prepotência, da arrogância, do sarcasmo, do cinismo, coisas que foram muito características em mim. Mas isso não significa que me tornei fraco, pelo contrário.

Minha força agora sai de dentro de mim e não está apenas falsamente estampada do lado de fora.

Quero que as pessoas me respeitem e não me temam. Mas também não quero mais temer ninguém.

Pra voltar a ser eu mesmo eu preciso voltar a fazer o que sempre soube fazer de melhor, ousar. O futuro é construído com ousadia e não apenas de projetos.

Quem sonha, ousa. E eu preciso voltar a ser o ousado que sempre fui pra voltar a sonhar e fazer as coisas acontecerem, como sempre fiz.

Hoje eu volto a ser eu mesmo. É um compromisso meu comigo mesmo.

Vou voltar a brilhar, de dentro pra fora. Já me sinto brilhando. E não vou deixar mais esse brilho ofuscar.

Como me disse uma pessoa recentemente, o que eu não posso mudar, tenho que aceitar.

Mas o que eu posso mudar, só eu pra mudar. E isso começa hoje.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 23 nov 2009 @ 11:27 AM

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 22 nov 2009 @ 11:49 PM 

São esses os caminhos de muitos aprendizados.

Aprender pelo amor é a forma mais tranqüila de se aprender as coisas, principalmente no que diz respeito aos sentimentos.

Pelo amor aprende-se em doses homeopáticas. Sem perceber a pessoa vai aprendendo os valores das coisas através de atos, atitudes, momentos, situações. E, sem perceber, passa a praticá-los de forma que ninguém se assusta quando percebe no outro o conhecimento adquirido.

Pelo amor aprendemos com calma, sem grandes reflexões, pois não é necessário refletir quando se tem continuamente bons exemplos a seguir.

E educação, a religião, o comportamento, os sentimentos, tratar as pessoas, valorizar as pequenas coisas, são coisas que se aprende pelo amor, na maioria das vezes dentro de casa.

Pelo caminho do amor o aprendizado torna-se uma conquista a cada dia, a cada hora, a cada minuto.

A dor não é homeopática. É dose cavalar de antibiótico de última geração. É tratamento de choque.

Pela dor a pessoa entra nas profundezas de si mesma, busca em si o que é bom e o que é ruim e tem que tomar uma decisão sobre o que fazer com o que encontra. E não dá pra mudar sem perceber, muito pelo contrário. É percebendo que a mudança acontece. E quando acontece não há maneira das outras pessoas não perceberem que ela aconteceu.

Pelo caminho da dor há urgência, e as reflexões são necessariamente profundas.

Questiona-se a educação, a religião, o comportamento, os sentimentos, a forma de tratar as pessoas e as pequenas coisas que se deve valorizar nelas. E essa mudança não vem de casa, vem de dentro pra fora.

Nesse caso, a conquista é imediata, mas tem que ser praticada dia após dia, hora após hora, minuto após minuto.

Pelo amor se constrói.

Pela dor faz-se antes uma demolição e, aí sim, uma nova construção.

O amor consolida, a dor renova.

Quando se aprende pelo amor os ensinamentos ficam para sempre.

Quando se aprende pela dor as mudanças são para sempre.

Amor e dor. Amor ou dor. Esses são os caminhos.

Posted By: Herminio S. Naddeo
Last Edit: 23 nov 2009 @ 11:28 AM

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